11 de julho de 2026
Geral

Unesp faz recepção alternativa a ‘bixos’ para substituir pedágio

Daiana Dalfito
| Tempo de leitura: 3 min

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) retomou as aulas ontem com uma novidade. Para combater os tradicionais trotes, o que inclui ‘pedágio’ feito pelos calouros de cara pintada nos semáforos da cidade sob a supervisão de veteranos, a direção do câmpus de Bauru preparou uma programação alternativa para os “bixos”. As atividades começaram ontem e haverá até passeata pela cidadania, a “1ª Pavebixo, na quinta-feira.

As comissões de recepção prevêem que cerca de mil alunos da Unesp participem da Pavebixo, que contará com a bateria da Atlética. O ponto de partida será a Praça Machado de Mello e a chegada está marcada para a Praça Rui Barbosa. “É uma forma dos alunos mostrarem a cara nas ruas sem se expor aos imprevistos dos ‘pedágios’ nos sinais”, diz o presidente da comissão de recepção da Faculdade de Ciências (FC), professor Antonio Roberto Balbo.

A passeata vai ser um ‘marco visual’ dos alunos nas ruas da cidade, segundo Balbo. Além disso, uma das idéias é reverter o dinheiro da venda de camisetas para a confraternização dos alunos. “Cada camiseta será vendida a R$ 5,00 e estamos estudando uma forma de aplicar o lucro para que os alunos se integrem”, explica o professor. As camisetas foram feitas com o patrocínio do Grupo Cidade.

Palestras

A passeata é uma das iniciativas para o “trote cidadão”. A programação da Unesp ainda inclui palestras, gincanas e atividades culturais que visam a integração entre os cursos e o conhecimento do ambiente universitário para os recém-chegados às faculdades. “É a primeira vez que a semana de recepção é feita em conjunto de faculdades de Ciências, Engenharia e de Artes, Arquitetura e Comunicação – respectivamente FC, FE e Faac. A aproximação entre os cursos aumenta a integração dos alunos e diminui preconceitos”, afirma o professor.

Porém, ontem o câmpus da Unesp ainda fervilhava com os trotes passados nos calouros à moda antiga. Em frente à biblioteca, a reportagem encontrou veteranos e calouros do curso de rádio e TV em uma brincadeira. Os calouros de corpos pintados e participando de brincadeiras não-violentas aplicadas pelos veteranos.

Casemiro Perez, calouro vindo de Piraju, afirmou que as atividades culturais e de integração promovidas pela Unesp são interessantes, mas que o trote tradicional, desde que não-violento e sem humilhações, também é bom para unir veteranos a recém-chegados. Assim também pensa Elissa Schpallir Silva, que veio de Campinas para cursar rádio e TV na Unesp: “A semana de recepção é uma boa iniciativa, poucas faculdades fazem. Mas os trotes dos veteranos são sossegados, ninguém nos obriga a participar”, diz a caloura, logo completando: “Acho que as atividades organizadas pela universidade poderiam ser melhor divulgadas”.

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Proibido

O professor Antonio Roberto Balbo, presidente da Comissão de Recepção da FC da Unesp, informou que o trote é proibido, mas que as comissões de recepção da universidade não têm ilusões de que as brincadeiras não aconteçam. “Ficamos atentos para que exageros não sejam praticados. Nenhum calouro é obrigado a fazer o que não deseja ou passar por um trote constrangedor. Reclamações geram providências por parte da instituição”, completa o professor.

A aluna Vanessa Scalon Peres, veterana do 2º ano do curso de rádio e TV, salienta que a recepção organizada pela Unesp diminui as ‘rixas’ entre as turmas e ajuda os calouros a se familiarizarem com a nova vida, e afirma que os veteranos estão divulgando as atividades.

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Plantio de árvores

Amanhã, às 8h, os alunos do curso de biologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) vão ao assentamento rural Terra Nossa para plantar 100 mudas de árvores nativas às margens do córrego Água da Prata, afluente do rio Bauru.

A atividade, que deve envolver cerca de 50 calouros e veteranos do curso, tem apoio do Instituto Vidágua. A iniciativa, segundo a assessoria do instituto, é uma forma de integrar os alunos e aumentar a consciência ecológica. O plantio das árvores serve para a recuperação de áreas degradadas.

O Vidágua realiza atividades de recepção de calouros há pelo menos dois anos, mas desta vez a iniciativa partiu dos alunos do 2º ano do curso de biologia da Unesp. A assessoria do instituto informou que a participação dos alunos é sempre satisfatória.