10 de julho de 2026
Geral

Mutirão de cirurgias começará por cardiologia

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Um mutirão de cardiologia a ser realizado pelo Hospital Estadual (HE) de Bauru será “piloto” na batalha contra as filas na saúde. Ele apontará, por exemplo, o total de faltas entre os pacientes na espera, o custo das consultas, além da demanda por exames e cirurgias.

Embora a data ainda não esteja certa, a “força-tarefa” na área do coração desponta como o primeiro quesito já definido a ser incluído no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), que deve ser assinado até dia 16 de março. O prazo foi estabelecido pelo Ministério Público (MP) com a concordância de dirigentes da Saúde.

Ontem, eles estiveram mais uma vez reunidos para discutir alternativas que resultem no fim da demanda de 15,8 mil pessoas na fila por consultas médicas com especialistas. Outros oito mil aguardam a realização de exames em Bauru. Para resolver o problema, o TAC terá caráter global. Incluirá de consulta à internação, informa promotor de Cidadania e Patrimônio Público, Fernando Masseli Helene.

O termo a ser proposto por ele prevê efeito dominó sobre todos os serviços. Porém, será executado por etapas. Terá como base a cardiologia, que tem 530 pacientes na fila. Como o número na espera é grande e os problemas nesta área atentam diretamente contra a vida do paciente, foi eleita para encabeçar a seqüência de mutirões.

A partir do mutirão de cardiologia, será possível verificar um percentual médio de ausências. Para o diretor executivo do HE, Emílio Curcelli, as faltas podem chegar a 70%. Outros dirigentes arriscaram 50%.

Para evitar desperdício de recursos, a Secretaria Municipal de Saúde e o Departamento Regional de Saúde (DRS-6) devem desenvolver trabalho de triagem a partir da lista de espera. Mutirões de ortopedia e oftalmologia, realizados por profissionais da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), podem até sair antes que o de cardiologia.

Conforme o JC divulgou, a AHB receberá verbas adicionais mensais da administração estadual. O montante, no entanto, trará apenas equilíbrio às contas da associação, que trabalha no vermelho em virtude da tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) estar desatualizada.

Na próxima semana, representantes da associação estarão reunidos com Carlos Macharelli, diretor da DRS-6, para analisar valores e verificar recursos extras para a executar a força-tarefa (via mutirão) nas áreas necessárias. A informação foi confirmada pelo presidente da AHB, Joseph Saab, e pelo superintendente, Reinaldo Rocha.

____________________

Idosos

Idosos, crianças e deficientes físicos, inclusive pacientes com problema mentais, terão prioridade nos serviços de alta complexidade, segundo informou Rosemary Lopes de Moura, membro do Conselho Municipal de Saúde, do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC) e gestora do Pólo Sudoeste Paulista, órgão do Ministério da Saúde.

De acordo com ela, a questão foi levada ontem ao promotor Fernando Masseli Helene, colocada em pauta e aprovada pelos gestores de saúde. “No TAC, eles têm de ter tratamento diferenciado”, diz ela. Porém, outras medidas simultâneas devem ser implementadas, como incentivo às entidades que trabalham com esse público. “Não temos leito de desintoxicação para adulto. Doutor Carlos (diretor da DRS-6) vai colocar na central de vagas”, informa.

Para Cláudio da Silva Gomes, coordenador do Conselho Municipal de Saúde, o caminho estabelecido pelo MP é o mais viável: iniciar a pactuação, mesmo que sua execução seja por etapas. Para ele, o TAC aponta as diretrizes que o Estado deve seguir, além de servir de instrumento para cobrança.