Outubro, 1983. Há 24 anos!...
Publicava então a crônica “Ipê-Amarelo”.
O texto viria a fazer parte do livro “Raízes”, que fora ricamente engrandecido com o prefácio do escritor Hernâni Donato, Acadêmico da Academia Paulista de Letras que, ao ler o texto, faz o comentário:
“... e humor fino, inteligente - “extinção dos jacarés do pantanal mato-grossense e dos professores de todo o Brasil” -São Paulo, 13 de agosto de 1888”.
O Jornal da Cidade, em 18 do fluente, registra em manchete de primeira página: “Brasil poderá ficar sem professor em dez anos."
Perdoem-me a imodéstia, mas há 24 anos já previa o que até então não aconteceu e eu não saberia dizer o porquê. Milagre, talvez.
Certo é que o desprestígio do educador perde-se no tempo. Por ocasião do Natal, recebia o mestre o “Abono de Natal”, que correspondia ao décimo-terceiro salário. O governador Laudo Natel extinguiu tal benefício fazendo com que os professores passassem a receber a cada dezembro o “Abono de Natel”...
O hoje deputado federal Salim Maluf, então governador do Estado, inspirando-se, por certo, em Nicolo Machiavelli (autor de “O Príncipe”), criou uma avaliação destituída de qualquer aspecto objetivo, que consistia na atribuição dos conceitos “Muito Bom”, “Bom” e “Regular”. O professor agraciado com o conceito “Muito bom” fazia jus a uma referência a mais em seu salário. Deveria receber dois conceitos “Bom” para atingir o benefício. O conceito “Regular”, um achincalhe para o professor. Não era tão difundido o verbete “nepotismo”, mas os melhores professores eram, coincidentemente, parentes ou asseclas do diretor!...
Em 12 de janeiro do corrente, dirigi-me à Secretaria da Educação, sugerindo a inclusão do xadrez no currículo escolar e a obrigatoriedade de o aluno freqüentar, no mínimo, 80% das aulas ministradas, para fazer jus à promoção, visando à formação do educando, buscando-se, após, a informação. Nosso governador é professor. Professor universitário. Mas é também economista. Se Sua Excelência julgar que a Educação é uma despesa a mais do Estado e não um investimento a longo prazo, não há mais nada a fazer.
Talvez caibam, aqui, as palavras do Affonso Arinos (1868/1916), em “Buriti Perdido”: “... Tu me pareces como o poema vivo de uma raça quase extinta. Por que ficaste de pé, quando teus coevos já tombaram”?
Álvaro Baptista Pontes - Da Associação Paulista de Imprensa