Digno de aplauso as considerações do sr. Ney Vilela, na coluna Opinião nesta sexta, 23/02, sobre radares móveis. Apenas gostaria de acrescentar o estudo feito pela USP, que relata a ineficácia deste instrumento como redutor de velocidade, já que quando são fixos, a velocidade aumenta nos 100 metros seguintes, e quando móveis, só ficamos sabendo quando recebemos lembretes em casa, não tendo nenhum impacto na velocidade que trafegamos. Prova da ineficácia é que os acidentes e mortes continuam aumentando ou se mantendo, mas nunca apresentaram redução significativa apesar do grande volume de dinheiro arrecadado com multas desta natureza. Importante talvez seja transportar estas considerações para o que ocorre em nossas ruas e avenidas, contrariando até as considerações de um leitor, que ainda nesta semana, pela segunda vez se não me engano, defende a colocação de radares em inúmeros locais e sem nenhuma sinalização sobre a existência destes.
Vou usar como exemplo a av. Getúlio Vargas: em alguns trechos temos 3 sinalizações diferentes em 100 metros. Devemos prestar atenção? Tente trafegar e acompanhar todas as sinalizações nos horários comerciais normais e terá seu carro se chocando contra outro por falta de atenção ao trânsito. Isto por ineficácia da Emdurb em conciliar uma só velocidade em locais com maior circulação de carros e pedestres.
Temos exemplos de que a coisa funciona bem nas Nações Unidas e recentemente na Comendador da Silva Martha, onde as velocidades são constantes e compatíveis com o tráfego local. Qual o risco da Getúlio Vargas com relação aos radares? Os equipamentos estão na mão de terceirizados, que não medem sua ânsia em pregar armadilhas, como colocá-lo em um trecho de 30km/h, logo na seqüência de outro de 50km/h, gerando grande número de ocorrências. Têm sido assim nas ruas e estradas, vejo isso diariamente, pois faço aproximadamente 4.000 km por mês atrás do volante. Gostaria de saber quem recebe os benefícios desta arrecadação, além dos cofres governamentais, talvez assim entendamos algumas posições a favor ou contra. Até concordo que para quem anda dentro das normas não deve haver problema, pois raras vezes fui autuado, mas não acho civilizado dirigir assustado com armadilhas enquanto devo prestar atenção no trânsito e com as ocupações diárias.
Antonio C. Cerigatto