Uma indústria de bebidas publicou um anúncio para contratação de pessoas com deficiência, visando integrar seu quadro funcional, nos classificados do JC, com muita visibilidade e destaque. Li todo jornal no novo horário, terminei o meu café da manhã com sabor de vitória, pois não bastassem outros exemplos demonstrados pela mídia, a consciência de cidadania e respeito está se espalhando entre os seres comuns, normais e até entre os diferentes.
Pouco depois, observando os mergulhos da minha filha, que também é deficiente, nas águas límpidas do Centro do Professorado Paulista, mostrei o referido anúncio a outros colegas que lá estavam. Eu estava perplexa com a postura de modernidade dessa indústria, buscando o que há de melhor no mercado de trabalho, aquele que vai aprender pela primeira vez um serviço e entre profissionais de verdade.
Parabéns por encamparem uma idéia tão avançada e, tenho certeza, com felizes surpresas. Não tenham dúvida, as pessoas com deficiência são capazes e gostam de mostrar a toda hora que sabem fazer muito bem alguns serviços. E mais, não conhecem a palavra preguiça. São puras e têm tanta vontade de entrar na roda. E mais, valorizam o olhar e o aperto de mão do outro. Com o tempo, outros descobrirão mais talentos e darão novas oportunidades, até sem a exigência do primeiro grau completo. No mundo dos menos iguais existem também criaturas autodidatas de seus próprios obstáculos com grandes alternativas para melhorar o dia-a-dia de uma comunidade.
Deixarei um exemplo de casa: minha filha não é alfabetizada, mas nada como um peixe, com técnica , estilo e disciplina. É de extrema utilidade na piscina ou no mar. Como aprendeu?? Com os estímulos do irmão e paixão pela água. Eu nunca soube nadar!
Catarina Carvalho