10 de julho de 2026
Bairros

Moradores interceptam caminhão-pipa do DAE e escola fica sem água

Luiz Galano
| Tempo de leitura: 3 min

Pelo menos 205 alunos da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Professora Alzira Cardoso, localizada no Jardim Chapadão, ficaram sem aula ontem pela manhã porque não havia água. Um caminhão-pipa, que abasteceria a escola anteontem à tarde, foi interceptado por moradores que estão sofrendo com falta d’água desde sexta-feira. Na ocasião, a bomba do poço zona norte, que abastece toda a região do Núcleo Mary Dota, cerca de 40 mil pessoas, queimou.

Há indícios de que até a água do reservatório da escola foi “saqueada” durante o final de semana. A equipe do JC constatou que, próximo à caixa de água do colégio o alambrado havia sido cortado e um alicate foi esquecido no chão. A diretora da Emef, Marimiriam Dias Esqueda, relatou que os reservatórios estavam vazios anteontem.

À tarde, a população exigiu que a água do caminhão-pipa que iria para a escola fosse distribuída entre os moradores que estavam com as torneiras secas. Ontem, o prédio amanheceu sem água. No período da tarde, no entanto, após ser abastecida por outro caminhão-pipa, a escola funcionou normalmente.

Maria Arlete dos Santos, que tem uma filha matriculada na Emef, afirma que precisou convencer a filha de que ela não poderia ir à escola em virtude da falta de água. “Ela estava doida para ir, principalmente porque teria aula de educação física. Precisei fazer ela entender que sem água não teria aula”, conta. Enquanto a moradora concedia entrevista, ao fundo moradores protestavam contra a falta de água dizendo “cadê a água, Chapadão?”.

Segundo o Departamento de Água e Esgoto (DAE) de Bauru, o bairro mais afetado com a queima da bomba é o Jardim Chapadão. Por estar numa região alta, a água remanejada de outros bairros chega com menor pressão ao Chapadão. A previsão é que o abastecimento de água em toda a região do Mary Dota se normalize somente a partir de amanhã.

Na região do Jardim Chapadão existem mais duas unidades de ensino infantil que funcionaram normalmente ontem com água fornecida por caminhões-pipa. Porém, Cleusa Alves Medeiros, diretora da Escola Municipal de Ensino Infantil Integrado (Emeii) Iara Conceição Vicente, estava preocupada com o abastecimento.

“O pouco de água que chegou durante a noite foi suficiente para encher as caixas de água. Mas agora (10h) as torneiras já estão secas. Caso haja algum problema e o DAE não consiga atender nosso pedido, o que não está acontecendo, a hipótese não é descartada. Mas vamos fazer de tudo para que não haja problema”, afirma.

Nas escolas estaduais da região norte da cidade, as aulas não foram suspensas por conta da falta de água. No entanto, estão sendo realizadas apenas atividades extras, pois foi solicitado aos pais que não levem os filhos para a escola. Segundo a diretora regional de Ensino, Vera Nilce Jarussi Gomes de Sá, diversos diretores das escolas da região procuraram o órgão para informar que ficariam sem água. “Chegamos à conclusão de que teríamos que agir com bom senso, conversar com os pais e solicitar que aqueles que puderem, não levem os filhos à escola”, revela.

Caixa sem tampa

Uma moradora do Jardim Chapadão que possui filho matriculado na Emeii do bairro (Iara Conceição Vicente) informou ao JC que uma caixa de água do estabelecimento estaria destampada. Segundo a coordenadora de operações de campo da Vigilância Sanitária de Bauru, Kelly Cristina Jacinto Mercado, a cobertura com lona não traz prejuízos à qualidade da água. No entanto, é preciso atenção redobrada na manutenção, pois a ação do tempo reduz drasticamente a vida útil do plástico.