O último dia de funcionamento do tradicional Bar e Mercearia Canela foi emocionante. Centenas de amigos e clientes passaram para se despedir do bar, que após 41 anos, não vai abrir suas portas hoje às 7h como era de costume. Em clima descontraído, ontem à tarde eles prometeram que só iriam embora se fossem enxotados pelo próprio Wilson Canela.
Emocionado, Canela atendia os clientes com a mesma simpatia das últimas quatro décadas. Ele e a esposa, Maria Lúcia, davam atenção a todos que procuraram o bar pela última vez. Para eles, a maior perda é justamente o convívio com os amigos. Recebendo tantas mensagens e gestos de reconhecimento no último dia atrás do balcão, Canela se emocionou. “Não imaginava que fosse tão bem quisto na cidade”, diz.
O bar foi aberto em 19 de outubro de 1965 e funcionava até ontem no mesmo endereço, na esquina das ruas Padre João com a Araújo Leite. Na parte da frente do imóvel ficava o balcão e as prateleiras repletas de produtos cuidadosamente selecionados por Canela. No fundo, a residência do casal. A decisão de fechar o bar e mercearia veio depois do agravamento da saúde de Canela. Ele, sob a companhia atenta da esposa, vai se dedicar a tratamento médico.
Para Canela, apesar da tristeza, todos os clientes compreenderam os motivos que levaram ao fechamento do estabelecimento que funcionava até em feriados. Maria Ester Guadanuci Palamin, cunhada e cliente, diz estar de luto. “Eu não sei fazer compras em supermercados, não sei onde as cosais ficam. Só compro aqui”, diz.
No último dia do estabelecimento aberto, um dos únicos funcionários que passaram pela mercearia voltou para o balcão. Aldemar Bueno, trabalhou 19 anos no bar. “Vim dar uma força. Foram anos de trabalho com amor. Eles sempre foram patrões excelentes”, conta.
Da antiga
Pedro Alves Filho, um dos primeiros clientes do bar, garante que freqüentava o estabelecimento todos os dias há 41 anos. “Não vou perder só a mercearia, vou perder uma família”, diz. Jorge de Azevedo, cliente há 33 anos, conta que freqüentava mais assiduamente o estabelecimento na década de 70. “Fiz muitas compras na caderneta”, recorda.
O ex-prefeito Tidei de Lima aproveitou a tarde para se despedir do local. “O Canela é uma referência, com os melhores aperitivos de final da tarde e também para comprar produtos que só existiam aqui”, garante. “Vou sentir falta da convivência, da parte humana. E o Canela não era somente um comerciante. Ele participava das conversas e fazia do bar uma extensão da sua casa”, diz.