Ao invés de tinta no rosto e festa, ação social. Quarenta calouros do curso de biologia da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru acordaram cedo ontem para participar do “trote ecológico”. Eles plantaram 100 mudas de espécies nativas do cerrado, finalizando projeto de reflorestamento das margens do córrego Água da Prata, afluente do rio Bauru, localizado na área do assentamento rural Terra Nossa. No total, 24 mil novas árvores protegerão o recurso hídrico.
É o segundo ano em que veteranos do curso de biologia realizam o trote alternativo, com apoio do Instituto Vidágua e da própria universidade. A iniciativa partiu da estudante do 2º ano de biologia, Natalia Perussi Bisola, que participou da mesma atividade no ano passado. “Além de fazer a integração do calouro com os colegas de faculdade, damos a nossa contribuição ao meio ambiente. Como percebi que no ano passado a receptividade foi boa por parte do novos alunos, decidi promover novamente”, conta.
A atividade parece impressionar os calouros que saíram de suas casas, muitas vezes distantes de Bauru, para iniciar um nova vida em outra cidade. Moradora da capital paulista, a caloura Thais Santiago ficou eufórica com sua primeira intervenção em prol da natureza. “Estou amando essa atividade. É tudo novidade para mim sair de um lugar onde só tem prédio, praticamente sem nenhuma árvore, onde só se respira poluição, e vir para o meio do mato, respirara ar puro e plantar minhas primeiras mudas de árvore é uma experiência muito boa”, revela.
Para a estudante, a população precisa agir. “Se todos tivessem essa consciência ecológica, o mundo funcionaria muito melhor. Eu parei de apenas falar e agora comecei a fazer minha parte”, critica a caloura que plantou três mudas de árvore.
Até mesmo uma veterana do último ano do curso de biologia decidiu fazer parte do plantio. “Como estou terminando a faculdade, penso em aproveitar cada atividade”, revela Marila Martinez, que foi também uma das idealizadoras do trote ecológico.
____________________
Benefícios
O projeto de reflorestamento do córrego Água da Prata começou há três meses e terminou ontem. Segundo Jonas Costa Rangel, biólogo do Instituto Vidágua, no total foram plantadas 24 mil mudas de espécies nativas do cerrado às margens do riacho. Uma área total de 14 mil hectares.
De acordo com o especialista, a ação é essencial para preservar os recursos hídricos, recompor a mata ciliar e eliminar gás carbônico da atmosfera.
“A mata nativa às margens do rio volta a existir, eliminando, principalmente, problemas com erosão. Além disso, a fauna passa a ser novamente ocupada por animais silvestres. Assunto em voga no momento, com certeza as novas árvores seqüestrarão carbono da atmosfera e darão sua parcela para conter o aquecimento global”, explica.
Foram plantadas 80 espécies nativas registradas na região de cerrado no entorno da cidade de Bauru. As árvores plantadas ontem foram: capixingui, pau-viola, jatobá, ingá, sangre d´água, capororoca e copaíba.
Lucien Luiz