08 de julho de 2026
Regional

Exportação abala curtumes de Bocaina

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Bocaina - A economia agressiva do mercado Chinês no setor de calçados tem provocado reflexos nas indústrias coureiras de Bocaina (69 quilômetros de Bauru). Enquanto a maior parte do couro extraído no Brasil é vendido para o Exterior, pelas grandes indústrias coureiras, os pequenos empreendedores da área ficam sujeitos ao viés do mercado.

Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias de Curtimento e Derivados de Bocaina e Região (Sindacouros), Renato de Melo Rodrigues, como as indústrias de processamento de couros da cidade vendem apenas para o mercado interno, elas acabam enfrentando problemas com o aumento do preço da matéria -prima, devido a grande demanda do produto no Exterior. Dessa forma, os curtumes ficam sujeitos à alta dos preços do couro cru.

Os couros processados na cidade, segundo Rodrigues, são extraídos de rebanhos em vários Estados do Brasil, entre eles Mato Grosso do Sul, Pará, Sul de Minas Gerais e Bahia. “A procura está maior do que o fornecimento. O dólar baixou, mas a matéria-prima teve um aumento gigante, mais de 10% nestes dois últimos meses. Oitenta por cento dos couros produzidos no Brasil estão na mão de meia dúzia de empresários que exportam o produto em wet blue para a China”, explica Rodrigues, que também é sócio-proprietário de uma indústria coureira.

Apesar de não achar que o setor está em crise, Rodrigues lembra que o clima também influencia nas vendas do produto. Por mês, durante o período de inverno, as indústrias coureiras de Bocaina processam juntas cerca de 100 mil metros quadrados de couro. No verão, no entanto, esta quantidade chega a cair até 30%, devido à procura menor pelo produto.

“O problema maior de produção é na primavera e no verão porque os fabricantes utilizam muito material sintético, nas sandálias, por exemplo, além dos produtos alternativos como tecido. Dessa forma, diminui bastante a procura por couro”, explica o empresário, ressaltando que no inverno a procura por botas ou sapatos fechados, em couro, é maior e, portanto, o consumo do produto aumenta.

De acordo com Rodrigues, o principal mercado dos curtumes de Bocaina são as fábricas de sapatos femininos em Jaú e as fábricas de bolsas, em São Paulo. Como o mercado calçadista brasileiro enfrenta a deslealdade do mercado Chinês, que produz sapatos a custo bem inferior ao nacional, as indústrias de couro voltadas para o mercado interno acabam sendo prejudicadas, pois têm como principal comprador as indústrias de calçados nacionais.

“O aumento da produção depende dos mercados alternativos, talvez de um investimento maior nos artefatos (outros produtos a base de couro)”, lembra o empresário.

Os pequenos empreendedores do setor coureiro também têm de “brigar” com a falta de financiamento do governo. “Nós também temos dificuldades em modernizar as nossas empresas porque hoje as linhas de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) são só para os grandes empresários. Os pequenos têm grande dificuldade em comprar uma máquina e investir na modernização”, conclui, lembrando que somente em sua indústria estão instaladas 20 máquinas.

Empregos

Atualmente, cerca de sete curtumes estão instalados em Bocaina. Segundo Rodrigues, em média, cada um deles emprega cerca de 40 funcionários nas funções de serviços gerais, químicos, rebaixadores, lixadores e chapeadores. O setor tem gerado empregos e impostos para o município. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bocaina, a administração não registrou nenhuma queda na arrecadação de impostos em função de possíveis dificuldades do setor coureiro.

Apesar de não possuir dados oficiais, a Prefeitura estima que o índice de participação do setor, no total de impostos arrecadados no município, represente cerca de 30%.

“A atual administração mantém parceria sólida com os empresários do setor coureiro, inclusive, criou em 2005 o Posto de Entrega Voluntária (PEV) de resíduos sólidos para facilitar a coleta de resíduos sólidos dos pequenos e micro empresários”, informou a assessoria.