A gerente de uma agência da Nossa Caixa de Bauru desmascarou ontem pela manhã um falso promotor de Justiça aposentado. Ela acionou a Polícia Militar (PM) quando Augustus César Villamarin, 42 anos, passou pelo banco. Detido, ele foi levado ao 3.º Distrito Policial, prestou depoimento e foi liberado. Responderá, no entanto, por falsa identidade e documento falso.
Para a polícia, ele estaria preparando um golpe. Há seis meses, Villamarin abriu conta na agência e forneceu uma falsa declaração de renda, pela qual se passava por promotor de Justiça aposentado. “Depois, movimentou a conta normalmente, sem provocar prejuízo (à instituição)”, informa o titular do 3º DP, Abel Cortez.
Mas começou a levantar suspeitas, em meados de fevereiro, quando procurou a Nossa Caixa para reclamar de supostos saques fraudulentos em sua conta. No total seriam três: um de R$ 15,00 e dois de R$ 200,00. A partir da queixa, a gerente passou a investigar o caso e, ao verificar os dados dele, notou que Villamarin não dispunha de conta-salário no banco.
A situação provocou estranheza porque os servidores públicos recebem seus proventos pelo banco. Por cautela, a funcionária bloqueou a conta dele e solicitou o holerite mais recente. O documento não foi apresentado. Ontem, porém, Villamarin voltou à instituição para negociar o desbloqueio da conta. Enquanto estava na agência, a PM foi acionada.
Arrependimento
Ainda no banco, ele reiterava ser promotor de Justiça aposentado. Depois, na delegacia, desmentiu e disse estar arrependido. O contexto caracteriza falsa identidade, delito de menor potencial ofensivo, cuja pena prevista é de três meses de detenção. Ele assinou um documento e terá de se apresentar em juízo.
Também responderá por falsidade ideológica por ter apresentado, há seis meses, o falso documento de Imposto de Renda (IR). A pena prevista para o crime é de um a cinco anos de reclusão. “Pela experiência que a gente tem, ele poderia estar se preparando para dar um golpe, mas não houve tempo”, explica Cortez.
De acordo com o delegado, o primeiro passo do estelionatário é ganhar a confiança da vítima. Não à toa, a movimentação da conta de Villamarin era normal. Depois, provavelmente, ele iria requerer empréstimo. Durante o inquérito instaurado, o delegado também vai apurar se o falso promotor já chegou a praticar algum golpe.
A Polícia Civil apreendeu documentos pessoais dele, mas durante revista em sua casa, nada de suspeito foi encontrado ou apreendido. Eventuais vítimas devem procurar o 3.º DP pelo telefone (14) 3224-2622.