10 de julho de 2026
Bairros

Piscinas da Vila Universitária são criadouros do Aedes aegypti

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Piscinas sem cuidado e pratos de água de plantas são os principais focos de criação do mosquito da dengue, o Aedes aegypti, na Vila Universitária, bairro que concentra o maior números de casos da doença em Bauru. Após visitar mais de 630 casas do bairro, o Departamento de Vigilância Sanitária da Secretaria Municipal da Saúde aponta que moradores não estão se atentando para esses criadouros.

Ontem, o Instituto Adolfo Lutz registrou mais três casos de dengue em Bauru. Um deles, uma menina de 8 anos, é moradora do bairro. Um rapaz do Parque São João e uma mulher do Jardim Cruzeiro do Sul, que contraiu a doença em Três Lagoas (MS), são os outros infectados.

Em apenas dois meses, Bauru já soma mais da metade do total de casos de dengue registrados em 2006. A cidade já registra 30 pessoas infectadas neste ano. No ano passado, 54 casos foram registrados. A Vila Universitária concentra a maioria das notificações, com 11 pessoas infectadas. Além disso, 22 moradores do bairro que apresentaram suspeita da doença foram encaminhados à rede básica de Saúde para o teste de comprovação.

O bairro possui muitas piscinas, que com o calor e quantidade de água parada e limpa, são grandes criadouros em potencial para o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue. Segundo Sérgio Lemos de Oliveira, proprietário de uma empresa de produtos para piscinas, uma maneira segura de controlar a proliferação de larvas do inseto na água é manter a piscina com bastante cloro. Principalmente as piscinas que não são utilizadas com freqüência ou de residências que estejam para alugar ou vender.

“O ideal para piscinas que não são usadas seria mantê-las secas. Como isso não é possível, principalmente nessa época de chuvas, então é necessário deixá-las com bastante cloro”, recomenda Oliveira. O custo, observa o empresário, não é tão alto. Para deixar a piscina livre do mosquito durante um mês, são necessárias apenas duas pastilhas de cloro, vendidas em torno de R$ 5,00 cada.

Três fatores

Segundo o secretário municipal de Saúde, Mário Ramos, o bairro concentra três fatores necessários para a criação do mosquito. Ele lembra que os dois primeiros casos registrados no bairro são importados, um de Araçatuba e outro de Peruíbe. Além disso, ressalta que choveu muito nessa temporada, o que possibilitou a proliferação de criadouros. “Entrou gente com a doença, que podiam transmitir a dengue. Isso somado à quantidade de chuva do período e fatores ambientais que levaram ao aumento dos criadouros, fechamos o ciclo”, explica.

Ramos também ressalta que, por conta dos estudantes da Universidade de São Paulo (USP) e da grande movimentação de pessoas que vêm de outras cidades em busca de tratamento no Centrinho, a região fica ainda mais propícia para o aumento do número de casos.

A Vigilância Sanitária encerrou a nebulização da Vila Universitária no dia 26. Mas regiões vizinhas continuam recebendo as aplicações. Na próxima semana, o departamento planeja realizar novo bloqueio mecânico com busca ativa para verificar se acabou a transmissão.

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Sintomas

A dengue é uma doença causada por um vírus e transmitida através da picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti infectada. Os sintomas da dengue clássica são: febre; dor de cabeça; dor nos músculos e articulações; dor no fundo dos olhos; manchas avermelhadas pelo corpo; diarréia; náuseas e vômitos.

Aparecendo os sintomas, fique em repouso, beba muito líquido e procure imediatamente o serviço médico. Não tome nenhum medicamento por conta própria.