A produção teatral do Interior do Estado é o foco do 4.º Fórum Artístico da Cooperativa de Teatro, o primeiro realizado fora da Capital. O encontro estadual é realizado em Bauru por dois motivos: a localização estratégica da cidade, no Centro do Estado, e a cena emergente da dramaturgia teatral. São 250 participantes de 61 cidades, todos envolvidos com a arte teatral, atores, dramaturgos, produtores...
Gente de teatro falando para gente de teatro, para que a arte ganhe. A discussão sobre a linguagem do teatro para que a dramaturgia seja pensante. A preparação do ator; o processo colaborativo do Barracão Teatro, de Campinas; características do Teatro do Opressor; o trabalho do Teatro Experimental de Cali; entre outros temas, estão sendo enfocados.
“O fórum não trata, nesta edição, das questões políticas do teatro e, sim, da linguagem propriamente dita. A preparação do ator e traços da dramaturgia são os motes”, afirma o secretário de Cultura, José Augusto Vinagre. São dois dias de discussões atiçadas por pessoas de renome dentro do mundo da dramaturgia.
Ontem, pela manhã, “A preparação do ator” foi o ponto principal da mesa composta pela atriz Denise Weinberg, por Antônio Januzelli, doutor em teatro pela Universidade de São Paulo (USP) e professor de interpretação, além de Renato Ferracini, ator e colaborador do Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Universidade de Campinas (LUME).
A discussão da tarde foi dedicada à criação do diretor sobre o texto original, Luiz Arthur Nunes, diretor do Núcleo Carioca de Teatro, e Jorge Vermelho, iluminador, produtor, adaptador, um “faz-tudo” do teatro de São José do Rio Preto, fomentaram o pensar sobre o tema.
Hoje, no debate da manhã, Antônio Rogério Toscano, envolvido com os movimentos do teatro de rua em São Paulo, discute a “Dramaturgia”, sob o aspecto da criação autoral, coletiva, colaborativa ou a partir de um texto adaptado, com Getúlio Alho, diretor, autor, ator, de São Carlos.
Depois, às 15h, Marília Carbonari, atriz e pesquisadora de teatro , expõe o trabalho de grupos latino-americanos que atuam no Interior de seus países, como é o caso do Teatro Experimental de Cali (TEC), na Colômbia. Além da pesquisadora, Tiche Viana (Barracão Teatro - Campinas), André Ravasco (Cia. Do Trailler - São José dos Campos) e Miriam Fontana (Grupo Fora do Sério - Ribeirão Preto), apresentam processos de pesquisa.
Todos os debates seguem a mesma formação, aproximando um debatedor da Capital e outro do Interior, para que uma integração entre os teatros dos dois eixos seja estabelecida. “Essa aproximação do teatro feito na Capital e no Interior gera aprimoramento e valorização da arte, bem como a troca de informações e experiências. É um ganho qualitativo para o trabalho”, salienta Vinagre.
Fato é que o final de semana é uma chance de agregar ainda mais qualidade ao teatro, seja do Interior ou da Capital. Para os 20 grupos de dramaturgia de Bauru, conhecimento e qualidade, aproveitados por 60 dos 250 inscritos no fórum.
A cidade, segundo o secretário de Cultura, tem qualidade na produção e público interessado, mas falta disponibilidade financeira para que a atividade cultural e, especialmente, teatral seja ainda mais efetiva.
“Temos um curso de artes cênicas, os grupos amadores e profissionais. Falta um pouco de incentivo, mas isso conseguiremos com o tempo”, diz Vinagre, logo completando: “O fórum é mais um passo para isso, a idéia é que ele se torne um evento anual, voltando os olhos da classe para a cidade”.
O 4.º Fórum Artístico da Cooperativa de Teatro é realizado em parceria com a Secretaria Municipal da Cultura e a Secretaria do Estado da Cultura.