08 de julho de 2026
Geral

Biocana quer ‘desoneração’

Por Carlos Eduardo de Souza | Diário da Região
| Tempo de leitura: 2 min

O presidente da Associação dos Produtores de Açúcar, Álcool e Energia (Biocana), Luciano Sanches Fernandes, afirmou que o biodiesel ainda é um negócio embrionário. “Precisa ser desenvolvido em termos de legislação e tributos. Precisa ser desonerado e, da mesma forma como ocorreu com o álcool, tem de receber incentivos na área de aprimoramento agrícola e transparência para conseguir competitividade.”

Fernandes lembrou que o álcool também já foi subsidiado e que a produção de biodiesel terá de percorrer um caminho que não é tão imediato. Ele citou como exemplo a necessidade de que os ajustes previstos na legislação federal sejam aplicados também à estadual”.

O modelo previsto pelo governo federal para o biodiesel, que privilegia as pequenas propriedades e a agricultura familiar, foi criticado pelo empresário. “Não corresponde ao que ocorre no mundo real. Para produzir dentro dos preços do mercado mundial, é preciso ter escala (de produção)”, disse.

O presidente da Biocana lembrou que existe sinergia entre a produção de açúcar e álcool e biodiesel. “O vapor é necessário para o biodiesel e isso as usinas de açúcar já dispõem. A caldeira está no processo da cana de açúcar”, afirmou.

Outro ponto de sinergia é que a usina é consumidora de grandes volumes de óleo combustível que pode ser produzida por uma indústria de biodiesel. A terceira sinergia é que as atividades econômicas exigem cada vez mais a escala e, no caso de biocombustível, é possível utilizar uma estrutura única de controle com um ganho no custo fixo. Fernandes afirmou que o quarto ponto de sinergia é o uso de etanol no processo de produção do biodiesel.

O álcool atua como uma espécie de catalisador, que retira a glicerina do biodiesel. “Depois, o álcool precisa ser refinado. Por enquanto, a glicerina tem um valor razoável, mas no futuro, quando houver uma oferta muito grande, o preço deve cair.”

O estímulo ao plantio de grãos na região seria o último ponto de sinergia entre os dois biocombustíveis. Fernandes lembrou que o plantio de grãos com a estrutura do solo da região favorece processos de erosão, mas, no caso das áreas cultivadas com cana, existe um sério trabalho de terraceamento e preparo do solo.

“Chove muito na região e isso causa erosão”, afirmou. Entre os benefícios apontados pelo presidente da Biocana está o incremento do valor agregado de produção, aumento do Produto Interno Bruto (PIB) regional e maior geração de energia elétrica.