08 de julho de 2026
Regional

Religioso esteve em Potunduva?

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú – Céticos vão ter um prato cheio ao tomarem conhecimento de como Frei Galvão estreitou laços com o Distrito de Potunduva em Jaú (a 47 quilômetros de Bauru). A relação do lugarejo com o frei guarda um mistério. Como alguém pode estar em lugares diferentes ao mesmo tempo? Dizem que um fenômeno conhecido como bilocação foi responsável por um dos inúmeros milagres do religioso.

Por volta de 1810, período em que a Província de São Paulo passava por uma forte crise econômica, as monções comandadas por Manoel Portes navegavam pelo rio Tietê com destino a Cuiabá (MT) em busca de ouro.

As monções faziam paradas em duas localidades onde hoje estão a cidade de Porto Feliz e o Distrito de Potunduva. Numa dessas paradas, o comandante Manoel Portes se desentendeu com um contumaz beberrão de nome Apolinário, que desferiu vários golpes de faca no comandante.

Apolinário fugiu e Portes, sentindo a morte iminente, solicitou em oração à Virgem um confessor. Do mato por onde desapareceu o assassino surgiu uma figura silenciosa, trajando vestes de frade e que se dirigiu a ele. Ajoelhando-se ao solo, a figura puxou o agonizante Portes, recostando-lhe a cabeça e parte das costas sobre suas pernas. Portes sentiu que sua prece foi atendida e, abrindo os olhos ao ver aquela figura, gritou: “Frei Galvão”.

O frade abaixou-se e com o ouvido perto do rosto do comandante ouviu as confissões da vítima fiel, que faleceu em seguida. Após a extrema-unção, o frade fez o sinal da cruz com a mão em direção aos outros integrantes do grupo e silenciosamente sumiu na mata.

Ao mesmo tempo, conta a história, o Frei Galvão estava no Mosteiro da Luz, em São Paulo, oficiando uma missa. No meio dessa missa, avisou que alguém o chamava e que precisa fazer uma viagem. Ajoelhou-se e permaneceu imóvel e em total silêncio por aproximadamente meia hora. De repente acordou e disse: “Fiz uma viagem muito longa. Estou muito cansado”. Encerrou a missa e foi descansar.

Nos registros do Mosteiro da Luz há uma carta de 1935 relatando que em Jaú, durante a revolução, Anna Júlia Galvão de França fez relíquias com uma pequena pedra retirada do túmulo de Frei Galvão e deu a soldados jauenses, pedindo que nada acontecesse a eles.

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Vida

Frei Antônio de Sant’anna Galvão nasceu em Guaratinguetá, em 1739. Permaneceu até os 13 anos de idade na cidade, depois foi estudar na Bahia. O frei foi ordenado sacerdote em 1762 e completou os estudos teológicos no Convento de São Francisco, em São Paulo. Viveu durante 60 anos na Capital, até morrer em 23 de dezembro de 1822, com 83 anos.