10 de julho de 2026
Regional

Frei Galvão muda vida de família de Jaú

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú – Ao se mencionar fé religiosa na casa de Clarisse dos Santos Gonçalves, 53 anos, moradora do Distrito de Pontunduva, em Jaú (a 47 quilômetros de Bauru), é impossível fugir da imagem de Frei Galvão.

Todos da família Gonçalves, Clarisse, o esposa Guido, 58 anos, os filhos Danilo, 29 anos, Denilson, 26 anos e, principalmente, a caçula Ana Beatriz, têm um forte sentimento de fé e “dívida” com frei Antonio de Sant’anna Galvão. O religioso será o primeiro santo brasileiro com sua canonização anunciada para o dia 11 de maio em missa do papa Bento XVI, no Campo de Marte em São Paulo.

A família Gonçalves viveu uma experiência inesquecível ao mesmo tempo traumática, mas que também foi uma iluminação. A filha caçula, na época com 9 anos, teve diagnosticado um câncer de ovário, em 1998.

Os prognósticos médicos eram os piores, relembra, emocionada, Clarisse. De imediato a retirada de um tumor representou a perda de um ovário e uma trompa e também o início de um drama familiar. A extração do tumor não sinalizou para os médicos do conceituado Hospital Amaral Carvalho o fim do drama vivido pela pequena Ana Beatriz.

Começaram, então, as temidas sessões de quimioterapia. Ana Beatriz conta que dois rins paralisaram, cabelos e unhas caíram, os dentes ficaram moles, teve perda de peso e do tato, o que provocava queda de objetos quando tentava segurá-los, e não tinha forças para ficar de pé.

No meio dessa agonia da filha caçula, a mãe Clarisse dos Santos conta que o desespero tomou conta de todos, que passaram a viver no Amaral Carvalho. “Não sabíamos para que lado ir porque os médicos falavam que minha filha não sobreviveria”, conta a mãe.

Foram várias internações, sendo que no maior período Ana Beatriz ficou internada no Amaral Carvalho um mês e quatro dias. “Nosso alimento era rezar as novenas para Frei Galvão, porque o tratamento não apresentava melhora”, ressalta a mãe devota.

As famosas pílulas milagrosas de Frei Galvão foram trazidas por uma vizinha. A receita do milagre se traduz em um ritual. Conforme Clarisse, toma-se uma pílula no primeiro dia de novena, três dias após, a segunda dose e a terceira são ingeridas ao término da novena.

Ana Beatriz conta que não tinha noção exata do problema de saúde que estava enfrentando. As novenas aconteciam ao pé da cama da menina, abatida com o tratamento. “Quando você vê a graça acontecer, parece que nem é verdade aquilo que passei”, salienta a jovem.

A filha comenta que a devoção da mãe é algo surpreendente. “Sem saber o que estava acontecendo, você confia, porque era minha vida nas mãos do santo. Muitas vezes não comia e minha mãe ficava ali insistindo. Vejo a fé como sendo algo em que você acredita sem estar vendo. Eu tive que me lançar sem saber”, opina.

Clarisse relata que a última novena terminou numa sexta-feira. Segundo a mãe, no sábado a filha disse que queria ir para escola. Clarisse comentou com a vizinha que não era possível o desejo da filha, ainda abatida, se concretizar. Na segunda-feira, relata a mãe, a menina levantou e foi para escola, onde tirou uma foto ao lado da imagem do frei.

“Ela tinha um tumor enorme e, se fosse em um adulto, era retirar e pronto, mas numa menina de 9 anos!”, fala em tom emocionado. “Minha filha agora está curada. É um mistério da vida. Todos os médicos ficaram felizes e o médico disse que de 100 pacientes salvam-se 10. Para quem achava que não iria viver, minha filha está vivendo. O resultado está aqui e é a fé, graças a Deus”, comemora.

Para Ana Beatriz, é difícil acreditar. “Foi tão espontâneo porque você não vê Deus fazendo. Só vê depois que está feito”, sintetiza.

Atualmente, Ana Beatriz retorna periodicamente para exames médicos.