08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Aeroclube


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Ao receber o Jornal de domingo a primeira coisa que me ocorre é a leitura das excelentes crônicas do meu jornalista predileto, dileto amigo e companheiro de lides acadêmicas Zarcillo Barbosa. No último domingo, ao ler o artigo publicado naquela coluna (O Ouro de Bauru II), sobre a utilização de imensa área hoje utilizada exclusivamente pelo Aeroclube de Bauru, permito-me, pela primeira vez, discordar do renomado articulista. É pública e notória a crise financeira por que passa a Prefeitura Municipal de Bauru. Defender a intocabilidade de uma área de aproximadamente 50 hectares de terra estéril, que não possui nenhum manancial, sequer uma árvore e, ao que me parece, nem rende IPTU aos cofres municipais, é a meu ver atitude antieconômica.

É sabido que antes de servir ao curso de pilotagem, serve também à prática de vôo a vela, cujos praticantes, na sua maioria são privilegiados forasteiros, que de bom nos propiciaram pelo menos, até hoje, alguns títulos em campeonatos do citado esporte, mas convenhamos, não foi em virtude do tamanho da área. Os diletantes do esporte e os alunos da escola de pilotagem podem perfeitamente ser atendidos em área muito menor, não tão valorizada, desde que transferidas as instalações e se asfalte uma pista adequada, com um dispêndio de no máximo 10 a 15% do valor da área em pendência. A memória dos pioneiros poderá ser preservada da mesma forma, com o tombamento apenas da estação de embarque e seu contorno, que servirão como uma espécie de museu.

Ao lado esquerdo da av. Getúlio Vargas e seguimento da Odilon Braga comportam aproximadamente 80 lotes de 15 metros de frente destinados ao comércio, totalmente urbanizados, sem necessidade de abertura de ruas. Um condomínio fechado, totalmente urbanizado comportando aproximadamente 700 lotes residenciais, com obrigatoriedade de plantio de árvores como correção de acidez do solo e adubação por técnico até a maturidade, poderá presentear-nos dentro de 2 e 3 anos com milhares de árvores de porte, para que não “morramos” de inveja ao visitarmos cidades como Londrina, Maringá ou Ribeirão Preto. Nossa cidade reclama por asfalto, recape, esgoto, escolas, atendimento hospitalar, término de viaduto, áreas de lazer, captação de água, parque de água do Castelo etc. Na penúria financeira em que o município se encontra, rejeitar recursos de tal magnitude, significa morrer de sede à beira da fonte. Saudosismo, sim! Mas não a esse preço! Grato pela publicação.

Antonio V. Rufatto - RG 1.986.310