11 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Reducionismo por interesse político?


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No dia 17/02/2007, sábado, o Jornal da Cidade, página 21, brindou os seus leitores com duas matérias de suma importância para aqueles que gostam de ver e compreender os fatos e o ser humano por um espectro mais amplo.

A 1a. informa que “Lula critica redução de maioridade penal”, reconhece que a população praticaria a vingança contra os criminosos que mataram o menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, e “relacionou o ato violento com a estagnação da economia e criticou o fato do País não crescer há 26 anos e não ter gerado quantidade de emprego e renda que a população precisava”, e que se continuarem a tal redução da idade penal “Quem sabe um dia queiram (culpar) até o feto se souberem o que pode acontecer no futuro”. Já a 2a, logo abaixo e não por acaso, explicita: “Aliviado, PT de Minas recebe pedido para a desfiliação de Juvenil Alves” na qual aponta que o meu colega de profissão – advogado – e membro do PT, fora “flagrado numa conversa telefônica – interceptada pela PF durante as investigações – com o deputado estadual Durval Ângelo (PT), na qual reclamava que a campanha tinha gerado dispêndios de cerca de R$ 5 milhões”, contra os R$ 415.420,00 que Alves havia declarado junto ao Tribunal Regional Eleitoral e que o Excelentíssimo Sr. Deputado Alves “...foi apontado como o mentor e executor do esquema que teria causado prejuízo estimado de pelo menos R$ 1 bilhão aos cofres públicos, num sofisticado plano que envolveria a abertura de off shores no exterior em nome de “laranjas”. Alves foi indiciado por sonegação fiscal, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e evasão de divisas. Outros 29 acusados também foram indiciados ”

Nota-se facilmente que as matérias bem posicionadas possibilitaram ao leitor atento, honesto e liberto do indesejável sectarismo político, tirar as suas conclusões e visualizar com facilidade como podem ser rasteiros os interesses pessoais e, ou, de grupos econômicos e políticos, fanáticos e “sanguessugas” do poder público; e, que, a visão de saber apresentada pelo Chefe da Nação foi profundamente reducionista do ser humano; mais por conveniência, certamente, na preservação do tão sonhado poder do que propriamente por convicção pessoal.

Estou convicto de que ajo no estrito cumprimento do dever de cidadão, alertando que o presidente tenta “tapar o sol com a peneira”, desprezando deselegantemente os seus antecessores, inclusive aquele que lhe dá sustentação política no Senado Federal: o senador e ex-presidente da República José Sarney que enfrentou sérios problemas com a política externa, decretando até moratória; e o que é mais grave: açodado pelo “fora Sarney” da velha “esquerda” liderada por Lula.

Dessa forma, percebo que o presidente tentou desviar – parece que está conseguindo - o foco de atenções que leva à abordagem de questões mais profundas – notadamente de natureza moral - que envolvem a etiologia do delito: o sangramento das finanças do estado, o aumento da carga tributária, a natureza do ser, a sagrada finalidade da pena e as sérias consequências de cunho moral e espiritual a que todos estamos sujeitos como seres transcendentais. Ademais, é sempre bom não nos esquecermos de que estamos submetidos a mecanismos de Justiça Divina que não permitem sair daqui - deste Planeta - enquanto não pagarmos o último “ceitil”, pois a semeadura é livre, mas a colheita obrigatória.

José Quaglio, advogado, teólogo, pedagogo e licenciado em Filosofia