Rusty Marcellini, autor de “Caminhos do Sabor – Estrada Real” (Editora Gutenberg/ 0800-2831-322) resume, direitinho, como é o “minero”: “O mineiro sempre gostou de guardar preciosidades. Cada um tem suas gavetas. Dentro delas, há segredos e tradições, além de muito ouro”...
Revelado pouco a pouco e para poucos (mineiro não gosta de multidão) no quintal, escondido num arbusto..., pendendo de um cacho de banana...
Riquezas escondidas no Interior, como ocorre na cidade de Itabirito onde funciona um típico armazém (do árabe al-mahazan): a Mercearia Paraopeba, onde o dono, Roney, recebe e revende de tudo: ovo de avestruz, sangue de frango, umbigo de banana, semente de jurubeba, sabão feito de cinzas, broto de samambaia, pedaço de arado, carne-de-sol...
Ou no Aconchego de Tia Lúcia (siga a estrada em direção a Itabirito e, minutos depois, encontrará placas sinalizando o lugar). O local é uma chácara muito bem cuidada, cuja especialidade é o frango ao molho pardo.
O restaurante funciona na varanda da casa e oferece aos visitantes redes gostosas para o cochilo da tarde. Sua chácara tem horta, pomar, galinheiro e todo o serviço é feito apenas por ela e sua filha Carla (formada em Comércio Exterior que deixou Belo Horizonte por uma vida mais tranqüila).
“A idéia do frango ao molho pardo como especialidade é porque é o prato que melhor ilustra o que é a roça em Minas”, conta a anfitriã para Rusty. “Esse negócio de pegar o frango no galinheiro, cortar seu pescoço, juntar o sangue e cozinhá-lo, é uma coisa bem mineira”.
Umbigo com lingüiça
Falando em mineirice, umbigo lá em Minas é coisa para se comer. “Do cacho da banana sai um pendão. No final deste, há um cone roxo. Seu miolo é comestível e é conhecido pelos pobres como umbigo da banana. Já os ricos, gente fina, costumam chamá-lo de coração de bananeira”, detalha um morador da cidade, onde a iguaria é servida com carne moída, bacalhau, lingüiça-de-porco defumada (a Fazenda Hotel Sipuá é referência).
Maria, cozinheira de mão cheia, ensina a técnica: primeiro, para o umbigo não escurecer, colocam-se umas colheres de limão ou vinagre numa bacia com água. Depois de retirar as camadas que cobrem o miolo do umbigo, deve-se picá-lo e colocar na água. Transfere-se, então, para uma panela com água ou limão ou vinagre. Aferventa-se duas ou três vezes. Descarta-se a água e, em seguida, o umbigo deve ser refogado com cebola e alho. Antes de servir, basta acrescentar a lingüiça defumada e colocar sal a gosto.
Um “tiquinho” pra frente e a viagem leva a Lavras Novas, onde o ator Jonas Bloch e sua mulher Sylvia brindam os hóspedes e visitantes com uma torta de iogurte com calda de morangos silvestres, a “fruta que a vaca não come”. (como seus arbustos têm espinhos e a fruta é azeda, o bicho passa bem longe).
____________________
Doces e o torresmo
Doces artesanais em barra (goiabada, cidra, bananada, pessegada e doce-de-leite) fazem a fama de São Bartolomeu, distrito de Ouro Preto, distante 12 km do acesso a Mariana.
Quem quiser comprar, deve bater palmas na porta dos moradores que os expõem em estantes na sala de estar. Os tachos ficam lá no fundo da cozinha caso você seja do tipo, como eu, que adora provar o doce ainda quente, direto da colher de pau.
Em Ouro Preto é parada obrigatória o Restaurante Chafariz, na rua São José, 167. Sinônimo de comida mineira, a casa serve lingüiças saborosas, torresminho crocante e sequinho, cachaça, bambá de couve, frango ao molho pardo, tutu ou tropeiro, angu mole, broto de samambaia, língua ao molho de madeira e, para quem agüentar, um licorzinho de jabuticaba.
Também em Ouro Preto funciona o Boca da Mina num lugar considerado, no passado, pelos moradores, como mal-assombrado por conta de um buraco no terreno que servia de acesso à antiga mina de Chico-Rei. Como dentro da mina, no século 18, muitos escravos morreram, os medrosos acreditavam que seus fantasmas poderiam ainda estar no local.
Essas almas penadas não meteram medo em Dona Mariazinha que os expulsou com tutu de feijão: tutu com ovo, couve, angu, lingüiça e torresmo, feito na “horinha”. “O torresmo é frito até a sua crocância ideal, o tutu é batido e refogado na gordura do torresmo, e a couve é cortada bem fininha”, explica Bia, sua filha, hoje a encarregada da casa.
____________________
O pão com lingüiça do Gauchão
Como pode um pão com lingüiça ser tão bom? Rusty dá a resposta no excelente livro da Editora Gutenberg: No Posto do Gauchão, em Bom Jesus do Amparo, uma chapa está sempre ligada.
Em cima dela, uma montanha de lingüiças enfileiradas lado a lado à espera dos próximos clientes. Assim que sai o pedido, o funcionário corta o pão francês ao meio, passa requeijão, coloca a lingüiça dentro dele e põe na chapa para alcançar crocância e temperatura.
Depois, é só saborear a marca registrada da lanchonete à beira da estrada.
____________________
Torta de iogurte com calda de morangos silvestres
Massa
2 xícaras (não muito cheias) de farinha de trigo
3 colheres (sopa) bem cheias de margarina (100 g)
1 gema
2 colheres (sopa) rasas de açúcar
1 colher (sopa) rasa de fermento em pó
Preparo
Misture todos os ingredientes secos
Coloque a margarina e misture com um garfo até virar uma farofa.
Coloque a gema e termine de amassar com um pouquinho de água fria. A gema é opcional, pode-se amassar apenas com água.
Calda de morangos silvestres
Ingredientes
2 xícaras de morangos silvestres
½ xícara de açúcar
Preparo
Colocar os ingredientes numa panela e levar ao fogo até virar uma calda.
*A calda pode ser substituída por geléia de frutas silvestres, como amora e framboesa
Recheio
1 lata de leite condensado
1 lata de creme de leite sem soro
2 copos de iogurte natural desnatado, sem soro
Preparo
Misture bem todos os ingredientes até virar um creme líquido. Coloque na massa e leve ao forno para acabar de assar.
Quando escurecer o creme, tire do forno e coloque a calda de morangos silvestres. Deixe esfriar e coloque na geladeira.
Leitão à pururuca
Tempero
1 colher de sopa de orégano
1 colher de sopa de louro
1 colher de sopa de pimenta calabresa
1 colher de sobremesa de cominho
1 colher de sobremesa de hortelã seca
1 colher de chá de açafrão
1 colher de chá de pimenta curtida na cachaça
1 colher de chá de pimenta-síria
½ colher de chá de pimenta-do-reino
½ colher de chá de pimenta-de-pau ou pimenta-de-macaco
½ colher de chá de noz-moscada
170 gramas de alho amassado
1 quilo de sal
Preparo
Todos os ingredientes serão misturados junto ao quilo de sal. Depois de pronto, o tempero pode ser guardado e usado aos poucos. Use uma colher de sopa do tempero para cada quilo de carne.
Coloque a leitoa na geladeira à temperatura de quatro a oito graus, sem congelar. Deixe de um dia para o outro.
No dia seguinte, acrescente uma colher de sopa de tomilho, outra de manjericão. Bata tudo no liqüidificador e misture com a leitoa. Volte a leitoa para a geladeira para curtir lentamente no tempero. Isso vai durar seis dias, sem congelar.
Depois desse período, coloque a leitoa numa grelha, com a costela para baixo. Atenção: não colocar a leitoa numa assadeira, pois a gordura deixa a carne “pesada”. Para não sujar o forno, coloque a assadeira embaixo da grelha.
Deixe a leitoa assando por mais ou menos sete horas. Aí é hora da pururuca. Muita gente faz esse trabalho derramando gordura quente por cima da carne, o que não é recomendado nessa receita. A pururuca é feita na brasa, o que elimina mais gordura da leitoa.
Também pode ser usado um sistema que imite brasa, como churrasqueira a gás, por exemplo.
Creme de papaia com licor de jabuticaba
Bater o mamão papaya no liqüidificador com sorvete de creme.
Ao invés de servir do modo tradicional, junto com licor de cassis, substituir por licor de jabuticaba
Alugando uma jabuticabeira
Os paulistas e os mineiros adoram jabuticaba. E ela é festejada em Sabará em um festival que ocorre geralmente em dezembro quando diversas barraquinhas vendem derivados da fruta, como geléias doces e salgadas, licores, vinhos, mousses, sorvetes, compotas, etc.
Lá em Sabará é possível “alugar uma jabuticabeira” já que a fruta é muito mais saborosa quando apanhada do pé. Há várias pessoas na cidade dispostas a locar a árvore por alguns minutos. Se você quiser sentir mais esse jeito mineiro de ser, agende sua visita a Sabará entre os meses de outubro e novembro, quando as frutinhas, pretinhas e doces estão com carga total.
• Serviço
Como comprar o livro
wwww.autenticaeditora.com.br / telefone 0800-2831-322
• Posto do Gauchão
Rodovia BR 381/262 km 395 / (31) 9619-7148
• Restaurante Aconchego de Tia Lúcia
Rio Acima (31) 3799-1089
• Mercearia Paraopeba
Rua João Pessoa, 110, Itabirito / (31) 3561-2656
• Fazenda Hotel Sipuá
Itabirito / (31) 3799-1409
• Pousada Villa Paolucci
(leitão à pururuca)
• São João del Rei
Final da Rua do Chafariz / (32) 3355-1350