08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Um apelo à vida


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“E agora, cadê meu filho? Por ele vou lutar por justiça. Eu quero mudança. Meu filho não vai ser mais um nas estatísticas.”

Palavras da mãe de João Hélio, morto recentemente no Rio de Janeiro.

João Hélio, seis anos, foi arrastado por 7 km, amarrado por um cinto de segurança. Sua mãe e sua irmã assistiram a tudo sem poderem fazer nada. Isso é mais uma prova de que hoje a vida não é nem um pouco valorizada, já que cada um só enxerga a si próprio e passa por cima de qualquer um para conseguir o que se quer. Isso acaba gerando um medo. Medo da indiferença com o outro, da falta de solidariedade, respeito e amor. Do descaso com a vida;

Como pode os assaltantes não se sentirem arrependidos? Tirar a vida de uma criança de tal forma. A vida de João foi trocada por um carro, por dinheiro. Devemos ver isso como um modo de reflexão. Sermos menos capitalistas e mais humanos. É hora de mudar, ver que do nosso lado tem alguém precisando de ajuda.

Esse caso deixou o Rio emocionado e o Brasil chocado. E, além disso, revoltado, querendo justiça. Justiça que mais parece ilusão, pois os verdadeiros presos somos nós, trancados em casa, com medo. Está na hora de uma mudança na legislação. Queremos mudanças nas leis, queremos que a justiça seja feita. Mais que necessário investir em educação, trabalho comunitário, em grupo, acompanhamento psicológico rigoroso nas penitenciárias. Isso poderia fazer com que os presos revissem o conceito da vida.

Essa semana o Brasil deu um grito pela esperança. Esperança de um Brasil melhor.

Ana Paula Vizacre