11 de julho de 2026
Nacional

PMDB: pressionado, Nelson Jobim renuncia à candidatura pela presidência

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim renunciou ontem à disputa pela presidência do PMDB. Ele disputava o cargo com o atual presidente da legenda, o deputado Michel Temer (SP). O embate entre os dois ocorreria na convenção nacional do partido, marcada para domingo. “Os acontecimentos das últimas horas enunciam opção objetiva do governo quanto à disputa no PMDB. Diante disso resta-me afastar-me em definitivo da contenda”, diz nota divulgada por Jobim.

Entre os motivos alegados por Jobim para desistir de sua candidatura está a suposta intervenção do Planalto na disputa. Segundo aliados do ex-ministro, a gota d’água teria sido o convite feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) para assumir a Integração Nacional. Jobim considerou que Lula estava fortalecendo o grupo de Temer, já que o presidente do PMDB tem a preferência da bancada do partido na Câmara -onde está Geddel.

Aliados de Jobim - como o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e o senador José Sarney (PMDB-AP) tentaram evitar a renúncia de Jobim. A reportagem apurou que eles chegaram a pedir para Lula adiar a reforma ministerial e a confirmação de Geddel para a Integração. Mas o pedido não teria sido aceito.

Às vésperas da convenção, a disputa entre Temer e Jobim estava cada vez mais acirrada. O ex-ministro do STF chegou a dizer anteontem que iria desistir da candidatura. Mas os aliados de Temer não deram trégua a Jobim. O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), um dos articuladores da candidatura de Temer, entrou com pedido de impugnação da candidatura de Jobim na Executiva Nacional do partido.

Segundo ele, o registro da chapa “Ulisses Guimarães” - de Jobim - possui erros que seriam questionados oficialmente. Entre as irregularidades estava a duplicidade do ex-ministro Luciano Barbosa como um dos candidatos a vaga na Executiva Nacional. Com o nome registrado duas vezes, a chapa ficou apenas com 118 integrantes - enquanto o regimento do partido determina que sejam 119 candidatos a integrantes da Executiva.

Oficialmente, Temer chegou a desautorizar seu grupo a impugnar a candidatura de Jobim e negou que quisesse vencer no “tapetão”. “De fato, há irregularidades graves (na chapa de Jobim). Houve (o pedido de) impugnação, mas a palavra tem sido a de que se dê prazo de 36 horas, 48 horas, para que se apresentem as autorizações (à chapa). Vamos proceder dessa maneira para não parecer que queremos disputa no tapete. Queremos disputa no voto”, disse Temer anteontem.