Por trás de uma grande cidade, existe grandes mulheres. Bauru não seria a mesma sem elas. São mulheres que dedicam parte de seu tempo - muitas vezes, ele inteiro -, em trabalhos voluntários, dirigindo entidades, lutando por uma causa ou até mesmo quebrando tabus em profissões tidas como masculinas. Neste Dia Internacional da Mulher, o Jornal da Cidade lembra de algumas bauruenses que fazem a diferença.
Há 31 anos trabalhando na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Bauru, Olga Bicudo é referência para a cidade quando o assunto é assistência aos portadoras de deficiência mental e física. A história da Apae de Bauru em muitos momentos se confunde com a dessa mulher de 79 anos. Na presidência, ela participou ativamente do desenvolvimento da entidade, que atende mais de 400 alunos. À frente da Apae, ela busca ampliar e modernizar o leque de serviços que a entidade oferece a seus alunos e à comunidade na área de saúde. A última novidade foi a inauguração de um jardim sensorial na Apae.
Mamãe Noel das crianças do Ferradura Mirim há mais de dez anos, Maria Madalena Braz de Oliveira, a Madalena Branca, é uma das mulheres que lutam por um Natal mais alegre na periferia. Em dezembro, arregaça as mangas e sai de loja em loja pedindo brinquedos para distribuir para as crianças junto com doces e minipanetones. Superando dificuldades e entre uma viagem e outra que organiza a São Paulo, ela também já fez campanhas por vítimas da seca do Nordeste.
Como Madalena Branca, Pierângela Filizzola é conhecida na cidade pelas festas de Natal que organiza para crianças carentes. Há 12 anos, sua vida é um corre corre em dezembro atrás de doações de brinquedos e produtos para confeccionar o bolo para os pequenos do Parque Jaraguá. Mas como ela sempre diz, o trabalho e a preocupação de conseguir atender todas as crianças, que aumentam ano a ano, valem a pena diante do sorriso que elas abrem ao receber o presente de Natal.
Samba no pé
Com muito samba no pé, Aparecida Brito Caleda, a Cidinha, vice-presidente do Grêmio Recreativo e Cultural Escola de Samba Azulão do Morro, no Parque Jaraguá, luta para proporcionar alegria a um dos bairros mais violentos e carentes da cidade. No último Carnaval, mesmo sem evento promovido pela prefeitura no Sambódromo, a Azulão do Morro foi a única escola de samba de Bauru que desfilou. No lugar da “avenida”, a escola saiu nas ruas do bairro. A escola ainda mantém o projeto Sementes do Azulão, que atende 77 crianças, de 7 a 14 anos, que participam de aulas de mestre-sala e porta-bandeira, capoeira, street dance e ritmista. Ela custeia do próprio bolso, aulas de teatro a 18 crianças.
Uma verdadeira guerreira pela melhoria do atendimento na saúde de Bauru, Rosemary Lopes de Moura, membro do Conselho Municipal de Saúde, do Conselho Gestor do Pronto-Socorro Central (PSC) e gestora do Pólo Sudoeste Paulista, órgão do Ministério da Saúde, não tem medo de denunciar irregularidades na área. Também tira de letra o fato de ser a única representante da população usuária nas reuniões mensais entre Ministério Público, hospitais e dirigentes da saúde em Bauru. Todos os dias, Rose Lopes ainda encontra tempo para servir, junto com um grupo de voluntários da Vila Dutra, uma sopa para a comunidade carente de seu bairro. O grupo também doa roupas e alimentos a mais de duas centenas de famílias da Vila Dutra.
Artista plástica por formação, Lúcia Helena Turini, depois de 27 anos dedicados a serviços voluntários, já poderia acrescentar em seu currículo conhecimentos de pedagogia, psicologia, assistência social e outros. Há nove anos atuando no Núcleo Fortunato Rocha Lima, Turini é coordenadora do projeto Girassol, do Centro Espírita Amor e Caridade, e trabalha com complementação pedagógica de crianças e adolescentes, gestantes e cursos de informática e artesanato. Anteontem, ela levou um grupo de 106 crianças para assistir a um filme no Bauru Shopping. Nenhuma delas conhecia o shopping e nunca tinham ido ao cinema.
A diferença que Márcia Fagundes dos Santos Vidal, 36 anos, faz é contra o preconceito. Enquanto muito marmanjo que sofre para fazer uma baliza ainda acredita que mulher não sabe dirigir, ela é encarregada de estacionar, todas as noites, 70 ônibus da empresa Cidade Sem Limites no pátio. O trabalho é só uma etapa para a realização do verdadeiro sonho da cobradora: dirigir ônibus. Porém, ela que já foi a única taxista a ficar no ponto 24h do terminal rodoviário, queria mesmo ser caminhoneira, se já não tivesse os filhos e um netinho de 2 anos. Como ainda não quer parar de quebrar tabus, ela pretende prestar vestibular.