E agora, o que fazer? Toda data nos leva a reflexões que no mais das vezes estonteam-nos. Ser mulher, mãe, executiva, esposa??? Por que não um pouco de tudo. O século XX nos mostrou Indira Ghandi, Margareth Tatcher, Beth Friedman, Irmã Dulce, Madre Tereza de Calcutá e outras tantas. Cada uma defendendo um ideal, marcando a história. Hoje a humanidade se perde num torvelinho e quase todos sentem-se incapazes de dizer o que mais os aflige. Aquecimento global? Desemprego? Violência? Drogas? Guerras com fins escusos? Desagregação da Instituição Família? Corrupção? Solidão? Desamor?
Cada um de nós tem um ou outro como de maior relevância mas, com certeza, os conflitos familiares e o não se sentir amada(o) estão no rol de quase todas as pessoas normais que tem a coragem de fazer uma análise da própria existência. Onde a raiz dos problemas? Na falta do auto-conhecimento. Há dois mil anos Jesus já nos alertava para a necessidade do auto-conhecimento e até hoje insistimos em vestir máscaras sociais para ostentá-las publicamente e nos escondermos de nós mesmos.
Hoje, mais que em qualquer época, a mulher ombreia-se ao homem em todos os ramos da atividade humana, embora ele não a iguale nos deveres do lar, da família. Condolessa Rice é a mulher forte na Defesa dos EUA, Marta Suplicy desponta como possível candidata à Presidência, já temos mulheres astronautas.
Contudo, nunca sua situação foi tão afligente. Muitas vezes é o arrimo do lar e ainda exerce todas as funções domésticas pois o marido desempregado negligencia, vai para o bar com os “amigos”. E a mulher se cala, aceita. Por quê?
Os atavismos, os arquétipos ancestrais que nos dominam sem que nos conscientizemos disso as faz culpar-se de negligências que não cometem. Embora isso tenha diminuído muito, na vida conjugal a mulher também procede da mesma maneira, aceitando, tolerando. O homem, por sua vez, fundamentado nos mesmos arquétipos e atavismos, sem quantificar sua interferência na relação e a gravidade das lesões nela provocadas, ainda culpa a mulher de tudo.
Hoje é o simbólico Dia Internacional da Mulher. Pare um pouco, deixe-se ficar sozinha no seu quarto, no jardim, num bosque, no zoológico, na sombra de uma árvore, em qualquer lugar onde se sinta bem, mergulhe no abismo de si mesma, no desconhecido mundo interior que não foi ensinada, não aprendeu ou teme perscrutar e assustar-se com ele. Reflexione sobre cada problema escondido e não resolvido, descubra se a culpa é sua, até onde e por quê.
Identificou-os? Analise um a um, dê-se a mesma tolerância, a mesma compreensão, o mesmo perdão que você exercita para com os outros. Os que não lhe cabe a culpa, sepulte-os e perdoa ao agressor de ontem. Aprenda a autoperdoar-se, a autoamar-se. Quem não se ama, a ninguém consegue amar. O mesmo vale para o perdão.
A humanidade está muito carente de amor, ternura, perdão, compreensão. Vocês, a quem Deus delegou a sublime missão de ser com Ele Co-criadoras da humanidade, pratiquem o auto-amor, o auto-perdão e, com a sutileza feminina, sutilmente comecem a ensinar o marido, os filhos, o parente-problema, o colega de trabalho de difícil relacionamento essa arte não necessária e tão negligenciada pela falta de nos atermos à sua existência e necessidade.
Desde o início pra valer do movimento feminista há meio século vocês foram tão eficientes em vencer barreiras, galgar postos, ocupar espaços. Por que não iniciar uma nova batalha para mudar o direcionamento do crescimento moral, espiritual, da reconquista do direito de espalhar amor? Digam a si mesmas: eu vou fazer isso! A semente germinará e logo seus frutos serão colhidos. Feliz Dia Internacional da Mulher!
Áureo Antonio Ernica