Com megafone e cartazes com inscrições em defesa da autonomia brasileira, membros de entidades sindicais, estudantis e políticos de Bauru protestaram, ontem, na quadra 4 do Calçadão contra a visita do presidente norte-americano George Walker Bush ao Brasil. A proposta do grupo é chamar a atenção dos bauruenses para questões políticas do País.
“Hoje (ontem) estouraram mobilizações em diversas localidades do Brasil. Aqui, nós minimamente conseguimos organizar um ato de apoio ao debate com relação à sinalização de que Bush pretende interromper o ciclo de unidade que começa a se fortalecer na América Latina”, explica Jorge Moura, diretor de políticas educacionais da União Estadual dos Estudantes (UEE).
O militante se refere à tentativa de fortalecimento estatal iniciado pelo venezuelano Hugo Chaves e difundido na Bolívia, Equador e Nicarágua. Uma reação contra o chamado “imperialismo norte-americano”. E da intenção americana de transformar o Brasil em aliado contra o “perigo” bolivariano. Possibilidade descartada pelo Itamaraty, que mantém relações amistosas com a Venezuela.
“A cidade é uma das únicas do Interior a realizar este manifesto. Queremos alertar a população para as verdadeiras intenções de Bush no País. Não somos contra o comércio internacional, mas contra as altas barreiras comerciais e à venda de tecnologia desenvolvida pelo Brasil”, completa Roberto Domingos, presidente do PC do B em Bauru.
Para Thanara Thajana, estudante de enfermagem de 18 anos, que passava pelo local no momento do ato, a iniciativa é valida. “A questão é interessante, precisa ser abordada. Mas acho que não alcança muito êxito, porque falta interesse da população em se informar sobre as questões que acontecem no Brasil”, opina. Segundo os representantes das entidades, também ocorreram atos em universidades da cidade e no assentamento rural Terra Nossa, discutindo também a situação da mulher no País.