Iacanga - A cidade de Iacanga (50 quilômetros de Bauru) foi sacudida anteontem com a circulação de um panfleto fazendo várias acusações contra expoentes da política local. Os alvos dos ataques foram o prefeito Ismael Boiani (PSDB) e seu chefe de Gabinete Moacyr Bueno. A autoria do texto é desconhecida.
Um boletim de ocorrência (BO) foi registrado na delegacia da cidade para que se tente identificar o autor do panfleto. O que mais chamou a atenção foi que, em seguida à aparição do texto, foram feitas mais cópias do folheto, o que aumentou a dimensão do fato. Inicialmente, o texto foi deixado nas caixas de correspondência das moradias. Depois passou a circular de mãos em mãos, repercutindo em várias rodas de bate-papo pela cidade.
Pelo conteúdo, Boiani diz que a intenção foi denegrir sua imagem e a de Bueno.
O caso tomou tamanha proporção que, ontem pela manhã, o chefe de Gabinete esteve em uma rádio da cidade e rebateu as acusações impressas. O prefeito não descarta que o ataque tenha partido de pessoas incomodadas com a atitude da administração municipal de endurecer com o comércio que explora caça-níqueis nos bares do município.
Conforme matéria publicada pelo JC na última terça-feira, comerciantes estão sendo notificados para que retirem as máquinas dos estabelecimentos, caso contrário, terão seus alvarás de funcionamento suspensos.
No entanto, outros fatos podem ter desencadeado o ataque, segundo o prefeito. Ele cita que ontem foi um dia importante, pois o ex-prefeito Durvalino Afonso Ribeiro seria ouvido no Fórum de Ibitinga no processo judicial em relação a irregularidades no loteamento Jardim Vitória. Entretanto, a reportagem do JC apurou que Ribeiro foi dispensado da audiência. Familiares e pessoas ligadas ao ex-prefeito, figurando como réus, prestaram depoimento, assim como as testemunhas de acusação. Afonso permanece preso desde dezembro do ano passado.
O panfleto também pode reaquecer a disputa que por anos rivalizou dois grupos políticos no município. Pica-paus (representados por Ribeiro) e aroeiras (Boiani) tradicionalmente lutaram pelo comando do município. Boiani prefere não polemizar e lembra que na última campanha – eleições municipais de 2004 - a disputa entre aroeiras e pica-paus, se houve, ficou em segundo plano. “Procuramos abolir porque precisávamos dos votos dos pica-paus”, salienta.