08 de julho de 2026
Regional

Recém-nascido é abandonado em Lins

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Lins - Um recém-nascido foi encontrado ontem em um terreno baldio do Jardim Aeroporto em Lins (102 quilômetros de Bauru). Ainda sem nome, o menino nasceu com nove meses de gestação, pesando mais de 3,1 quilos, 53 centímetros e muito saudável, segundo os pediatras que o atenderam na Santa Casa de Misericórdia.

No entanto, o pediatra Márcio Pinto esclareceu que, pelo calor que fazia na cidade, o menino correu risco de se desidratar. No entanto, o recém-nascido entrou saudável na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal da Santa Casa.

A comerciante Aparecida Cleide Crema Craco e sua empregada Maria Cleide foram surpreendidas quando, às 11h20, localizaram no terreno baldio ao lado de sua residência um embrulho feito com cobertor. O que chamou a atenção, segundo Craco, é que o bebê não chorava - apenas se espreguiçava.

Imediatamente as duas retiraram a criança do terreno baldio, na rua Cônego Vicente Francisco de Jesus. “Não sei se foi emoção ou desespero, porque temos família e é triste. Ao mesmo tempo, a gente ficou alegre porque a criança estava com vida”, comemora.

Ela avalia que o menino foi deixado no local pouco tempo antes de ser encontrado. Para Craco, foi providencial a aparição da empregada, pois o calor no final da manhã era insuportável. Formigas já mordiam o recém-nascido, que vestia um macacão e estava enrolado em um cobertor.

O pediatra da Santa Casa avalia que o recém-nascido vai evoluir bem. As autoridades investigam o abandono da criança, que deve ser disponibilizada para a adoção.

Coincidências

No clima de surpresa e alívio que tomou conta da rua Cônego Vicente Francisco de Jesus, os policiais militares ouviram várias histórias em torno do encontro do recém-nascido. Alguns relatos sugeriram que uma tragédia poderia ocorrer caso a criança, ao invés de ser mordida por formigas, fosse atacada por cães.

O comandante do 1º Pelotão da Polícia Militar, tenente Marcelo Oliveira Saocella, ficou impressionado com a coincidência dos vizinhos não soltarem ontem seus cachorros como fazem diariamente no final da manhã.

Aparecida Cleide Crema Craco comenta que, por morar em um bairro isolado, costuma soltar seus três cachorros - pastor alemão, um boxer e um vira-lata – justamente no horário em que a criança foi deixada no terreno ao lado de sua casa. Ela comenta que a mesma atitude é adotada por um vizinho. Porém, ontem ambos não soltaram seus cães.

Outra coincidência inexplicável, conforme Craco, foi o fato de estar em sua residência no final da manhã. Por ser comerciante, na hora em que a criança foi localizada geralmente está em seu comércio. “Passei hoje (ontem) quando nunca estou em casa”, ressalta.