11 de julho de 2026
Polícia

Cadeia faz pelo menos 60% dos homens detidos pagarem pensão

Por Luciana La Fortezza | Com Luiz Galano
| Tempo de leitura: 2 min

A operação “Leitinho das crianças” - realizada anteontem, quando a Polícia Civil registrou o maior volume de prisões num mesmo dia em virtude do não-pagamento de pensão alimentícia - surtiu o efeito desejado. No total, mais de 60% dos 27 detidos resolveram suas pendências. Só ontem, pelo menos seis conseguiram alvará de soltura, após desembolsarem o valor devido à sobrevivência dos filhos.

Segundo o delegado Seccional Doniseti José Pinezi, o objetivo não era mantê-los presos, mas forçá-los a pagar a pensão. A pressão foi eficaz. Dos 27 detidos, apenas 18 deram entrada anteontem na Cadeia Pública de Avaí. Até o início da tarde de ontem, outros seis já tinham deixado as celas.

No entanto, a partir de consultas feitas junto às duas varas da família no Fórum de Bauru no final da tarde de sexta-feira, oito já tinham obtido alvará de soltura. Mas não é só a displicência dos pais que dificulta a assistência prestada às crianças. Uma menina de 13 anos, cujos pais são separados, não recebe pensão alimentícia há dois meses.

Mas ao contrário dos casos citados anteriormente, a culpa não é do pai. Mas sim da burocracia e da falta de comunicação entre a Justiça e o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Elisa Andréa Rodrigues, mãe da criança e moradora de Macatuba, conta que se separou do marido, que hoje trabalha em Agudos, e ganhou na Justiça o direito de que a pensão da filha fosse descontada diretamente na folha de pagamento do pai da menina.

“Mas ele (ex-marido) sofreu um acidente de trabalho e está recebendo salário pelo INSS. O próprio órgão onde ele trabalha enviou a sentença do juiz explicando que o valor da pensão teria que ser depositado diretamente na conta da minha filha. Mas até hoje isso não aconteceu”, informa.

Elisa conta que a filha tem problemas de saúde e precisa periodicamente ser trazida a Bauru para fazer exames. “O juiz proferiu a sentença, o pai está de acordo, tudo estava normal anteriormente. Mas agora o INSS exigiu que eu enviasse mais documentos para que o benefício passasse a ser depositado. Os pais que não pagam podem ser presos por isso. Mas com o INSS, acontece o quê?”, questiona.