10 de julho de 2026
Regional

Santa Casa de Marília pode dobrar transplantes renais

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

Marília - A Santa Casa de Marília (a 100 quilômetros de Bauru) tem capacidade para dobrar o número de transplantes renais, hoje considerados muito distantes do necessário para minimizar o sofrimento de quem está na fila da intervenção cirúrgica. A afirmação é da enfermeira nefrologista do hospital, Marlene de Rossi Oliveira, que integra a equipe de procedimentos médicos de transplantes de rim na instituição local.

Segundo Oliveira, atualmente são feitos dois transplantes a cada mês, número que poderia dobrar caso houvesse quantidade de órgãos suficientes para todas as pessoas aguardam doação. Ela explica que todo o processo de doação de rim é centralizado na cidade de Ribeirão Preto. Conforme apurou o JC, Marília possui aproximadamente 150 pacientes à espera de um transplante de rim e que hoje sobrevivem com tratamento de hemodiálise e diálise peritonial.

Segundo a enfermeira, a Santa Casa já realizou 370 transplantes de rins desde 1982, ano em que o hospital passou a efetuar os procedimentos. O número está aquém da infra-estrutura existente na cidade atualmente. “Temos quatro leitos específicos para as internações, bem como estamos bem servidos de equipamentos.

“O espaço físico é excelente e a localização do setor, dentro do hospital, é ótima”, salienta Oliveira. Para a enfermeira, a infra-estrutura de Marília não deve nada a hospitais de Botucatu, Ribeirão Preto e de Presidente Prudente, que também fazem parte do sistema de transplantes renais e que desenvolvem atividades semelhantes.

A Santa Casa de Marília oferece serviço de hemodiálise, diálise peritonial e de transplantes renais na totalidade para os conveniados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “A hemodiálise e diálise são terapias dolorosas e desgastantes, mas indispensáveis para a sobrevivência do paciente”, afirma. “Já o transplante de rim resolve o problema quando não há rejeição ou infecção”, compara, ao acompanhar a angústia de pessoas que estão na fila de espera por transplantes, aguardando um órgão compatível. “O fato de estar na fila dá esperança não a certeza de um transplante”, informa.

Ela lembra da importância de se conseguir um rim ideal para um determinado paciente. “Se não houver a compatibilidade, não adianta ser o próximo da fila”, completa, ao perceber esta situação como uma grande esperança por parte do paciente. “Eles vivem uma expectativa terrível”, lamenta.

Oliveira entende que é preciso uma maior conscientização por parte das pessoas, principalmente das famílias, quando perdem um ente querido. “A doação de órgãos é a solução para esta angústia de quem está na fila na espera de um transplante”, fala, com a experiência de quem convive com a dificuldade dos familiares em permitirem a doação, principal barreira a ser superada. “Médicos, tecnologia e infra-estrutura existem”, garante.