A presença de programas socioeducativos ajuda a diminuir a violência nos bairros. Essa constatação é fácil de ser feita quando se observa os resultados do Programa Escola da Família, do Governo de São Paulo. Desde que foi implementada, há pouco mais de três anos (40 meses, para ser mais exato), o projeto fez que os índices de violência nas instituições estaduais de ensino fundamental e médio caíssem em aproximadamente 40%.
As estimativas são dos próprios organizadores do programa. Em Bauru, os resultados positivos são mais visíveis nos bairros de periferia. Escolas como a Francisco Alves Brizola, no Núcleo Presidente Geisel (zona leste de Bauru), e a Carlos Chagas, na Vila São Paulo, registraram quedas significativas nos índices de depredação.
“Em muitos lugares era o trabalho da gente acabar de pintar, que as pichações voltavam a aparecer. Mas depois que o programa entrou em funcionamento, esse problema diminuiu bastante”, afirma Gina Sanchez, supervisora responsável pelo projeto em Bauru e mais 14 municípios da região.
Atualmente, 19 escolas do município oferecem o programa à população. Apesar de ser relativamente grande, a iniciativa já teve proporções bem maiores. Em janeiro deste ano, o governador José Serra (PSDB) decidiu reduzir o projeto pela metade em todo o Estado.
Em Bauru o corte acabou sendo bastante profundo já que, até o ano passado, 47 escolas disponibilizavam o programa ao público. Apesar das reduções, Sanchez acredita que o atendimento à população não foi prejudicado. “O ideal seria que a iniciativa tivesse dimensões maiores no município. Em todo caso, acredito que a cidade esteja sendo bem atendida”, afirma ela.
Cerca de 500 bauruenses, entre estudantes universitários (que recebem bolsas em universidades particulares por trabalharem no Escola da Família), voluntários e educadores profissionais, estão envolvidos no projeto atualmente.
Eles oferecem ao público um conjunto variado de opções de lazer. “As iniciativas mais procuradas pelos jovens são na área de esportes”, garante Maria Eugênia Borges de Miranda Reis, diretora da Escola Estadual (EE) Carlos Chagas. “Atividades culturais, como oficinas de teatro e artes plásticas, além, é claro, das videotecas, são bastante populares entre os usuários”, afirma ela.
De acordo com a educadora, o projeto ajudou a mudar a realidade da instituição de ensino. “As transformações se deram em dois aspectos: por um lado, a quantidade de depredações ao patrimônio da escola caiu. Não que problemas ainda não ocorram, só que agora eles são em menor escala. Além disso, a gente percebe que o próprio relacionamento entre os alunos melhorou. Parece que hoje em dia há maior entrosamento entre eles”, observa.
Para Sanchez, o programa fez com que os alunos passassem a assumir a escola como algo deles. “No dia-a-dia existem mais restrições para os alunos, devido às próprias necessidades impostas por nossa rotina de aprendizado. Nos finais de semana, ao contrário, os adolescentes podem buscar a atividade que mais lhe agradam. Eles se sentem bem no ambiente da escola e passam a se esforçar para que ela seja preservada”, pensa.
Na opinião de Reis, as iniciativas ajudam a criar na comunidade um sentimento de amor em relação ao local de ensino. “Em bairros como o nosso (a Vila São Paulo, uma das áreas mais carentes de todo o município), o Escola da Família acaba sendo a única opção de lazer disponível. Por esse motivo nosso trabalho acaba sendo bastante valorizado pelas pessoas”, diz.
Apesar de todo esse apreço, a diretora afirma que gostaria de ver mais moradores da vizinhança envolvidos no projeto. “As pessoas precisam saber que temos muito espaço e disposição para atender novos usuários. Basta que eles nos procurem”, diz ela.
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Quadra
Maria Eugênia Borges de Miranda Reis, diretora da Escola Estadual (EE) Carlos Chagas, na Vila São Paulo (zona norte de Bauru), é uma profunda conhecedora do Programa Escola da Família na cidade. Além de haver testemunhado de perto os resultados positivos ocasionados pela iniciativa, ela também conhece bem os fatores que atrapalham o sucesso de alguns projetos oferecidos à comunidade.
Atualmente, o maior empecilho enfrentado pela diretora é a ausência de cobertura na quadra esportiva da escola. Essa carência atrapalha a realização de atividades em finais de semana chuvosos.
“Pode até parecer que não, mas esse é um problema sério. A maioria dos nossos usuários vêm em busca de iniciativas na área esportiva. Se não temos quadra, como iremos fazer?”, questiona.
Em dias chuvosos, os responsáveis pelo projeto não liberam as bolas para o público. “Seria muito perigoso realizar uma partida em piso de concreto molhado”, avalia.
Se a quadra contasse com cobertura, acredita ela, o problema não ocorreria - o que seria um verdadeiro motivo de alegria para os freqüentadores do programa. Para compensar a ausência das atividades esportivas nos dias chuvosos, os responsáveis pelo Escola da Família disponibilizam ações em outras áreas, como exibição de vídeos ou oficinas culturais.