08 de julho de 2026
Saúde

Pimenta protege contra doenças

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 6 min

Uma das especiarias mais consumidas no mundo, a pimenta divide opiniões quando está em discussão o paladar. Tem gente que ama e tem gente que simplesmente ignora. Mas quando o assunto são os efeitos que ela provoca no organismo, especialistas na área de saúde são unânimes em afirmar que ela têm um poder de fogo contra algumas doenças.

As pimentas melhoram a digestão, são eficientes contra a dor de cabeça, artrite, reumatismo, má digestão, colesterol alto, doenças circulatórias e ainda protegem contra alguns tipos de câncer. E quanto mais ardida for a pimenta, maiores serão os efeitos.

Apesar de todos esses benefícios que ela proporciona, nutricionistas recomendam muito cuidado com o consumo exagerado por causa da capsaicina, componente responsável pela ardência na boca. “O excesso no consumo de pimenta vermelha pode levar a problemas de saúde, mas sua ingestão moderada é benéfica”, afirma a nutricionista Taís Baddo.

Entretanto, o consumo tem algumas restrições. Pessoas com úlceras, gastrites, hemorróidas e hipertensão, por exemplo, precisam ter muita cautela antes de mergulhar a colher dentro de um pote de pimenta. Neste caso, o consumo pode gerar um certo desconforto.

De acordo com a nutricionista do Sesi Suemi Ariki, a ingestão de pimenta provoca aumento das enzimas digestivas, principalmente as ácidas, o que agrava o quadro de quem possui essas doenças. Segundo ela, uma laranja ou um refrigerante à base de cola causam o mesmo desconforto.

No caso específico de quem tem hemorróidas, o proctologista Mario Hamada recomenda riscar o molho de pimenta do cardápio. “A pimenta não provoca hemorróidas, mas pode piorar o quadro (de quem tem essa doença), porque a pimenta provoca a dilatação das veias”, orienta.

Segundo a nutricionista Taís Baddo, é essa vasodilatação causada pela pimenta que provoca a salivação, transpiração e o rosto vermelho.

A capsaicina, que faz a boca arder quando ingerida, tem também suas propriedades medicinais. Segundo Marlon Peres da Silva, que desenvolve seu trabalho de doutorado na Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) baseado no estudo da pimenta, o produto pode ser usado como analgésico, cicatrizante e anticoagulante.

É uma ferramenta poderosa contra a enxaqueca porque estimula o cérebro na liberação da endorfina, o que dá uma sensação de bem-estar. Isto por que, quando ingerimos a capsaicina, ela ativa os receptores sensíveis da língua. A sensação de que a boca está “pegando fogo” faz com que o cérebro emita estímulos para apagar esse fogo, liberando a endorfina, que é uma espécie de morfina dentro do organismo. “É isso que provoca a sensação de bem-estar e faz da pimenta um alimento aconselhável para quem tem enxaqueca ou dores de cabeça crônicas”, explica Taís Baddo.

Por essas e outras, incluir a pimenta no cardápio, de forma moderada, pode ser um tratamento preventivo bastante saboroso, embora um pouco ardido.

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Muita ardência e pouco sabor

O engenheiro mecânico Rafael Bueno Queiroz, 26 anos, esteve recentemente no paraíso dos apreciadores de pimenta - o México. De lá, trouxe um pote da pimenta considerada uma das mais fortes, senão a mais forte, de todo o mundo: a habanero.

Segundo o engenheiro, a fama da pimenta faz justiça ao seu nome. Ele diz que os mexicanos brincam com isso, dizendo que quando a habanero é posta na boca é preciso abanar para aliviar um pouco a ardência e o calor provocado pela pimenta.

Rafael conta que lá a pimenta está em todo canto. “Eles comem bem mais do que nós (brasileiros). Eles colocam pimenta em cima de tudo”, relata. Mas faz uma observação: “A pimenta de lá é diferente. Ela é muito ardida e pouco saborosa. Nesse ponto, as pimentas brasileiras são melhores”, afirma Rafael. Segundo ele, não basta ser ardida, tem de ter sabor.

O consumo excessivo e prolongado de pimenta pode provocar uma perda de sensibilidade na língua. Como conseqüência, a pessoa começa a comer pimentas cada vez mais ardidas porque as que estava consumindo antes não fazem mais efeito ao paladar.

De acordo com Fábio Barrezzi, 31 anos, sócio de uma loja que vende uma grande variedade de pimentas no Centro da cidade, os tipos mais vendidos são realmente aqueles que dão mais sabor aos alimentos, que não são necessariamente os mais ardidos.

O produto mais picante da loja é o extrato de pimenta, que não tem como ser consumido sem sentir uma queimação muito forte na boca. Segundo Barrezzi, o pessoal usa o produto mais para brincadeiras com amigos. “É impossível comer alguma coisa temperada com esse extrato”, comenta.

Segundo ele, a procura por pimenta é sempre grande e os consumidores são os mais variados: desde estudantes universitários até aposentados e mulheres. Tem gente que compra potes de pimenta apenas para enfeitar a cozinha. São os potes decorativos, que misturam vários tipos de pimenta e dão um colorido bonito ao ambiente. Tem também aqueles que colecionam pimenta.

Uma dica: se a língua “queimar” com aquela pimentinha curtida, evite o primeiro impulso e não beba água, pois ela só espalha a ardência pela boca. Coma um pedaço de pão ou beba algo gorduroso, como leite ou iogurte. Eles removem a substância oleosa responsável pela sensação de ardência e calor.

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Com propriedade antioxidante, pimenta é livre de colesterol

Quando utilizada na medida certa, a pimenta é a responsável pelo sucesso de muitos pratos. Porém, se usada em excesso, pode também ser a culpada pelo estrago de outros. O sabor picante muito apreciado em pratos de todo o mundo faz das pimentas um condimento especial.

“Quanto mais ardida for a pimenta mais endorfina será produzida”, afirma a nutricionista Suemi Ariki, do Sesi de Bauru. Ela lembra ainda que as pimentas são ricas em vitaminas A e C e têm propriedades que protegem contra alguns tipos de câncer.

Segundo ela, estudos com populações que consomem grande quantidade de pimenta, como mexicanos e italianos, mostram que esse alimento induz à morte de células cancerosas. Além disso, vale destacar que são ricas em vitamina A, E e C, ácido fólico e armazenam potássio, são livres de colesterol e possuem propriedades antioxidantes.

Além da pimenta-do-reino, especiaria de origem asiática, as que mais se popularizaram na culinária universal foram as pimentas vermelhas, nome dado genericamente a vários tipos de pimenta do gênero “capsicum”, o mesmo dos pimentões.

As pimenteiras do gênero “capsicum” são nativas da América, mas sua origem exata é controversa. Alguns pesquisadores acreditam que elas surgiram na Bacia Amazônica, enquanto outros afirmam que elas se originaram na América do Central ou ainda no México.

Algumas dezenas de variedades dessas pimentas são produzidas no Brasil e mesmo sendo um cultivo ainda de maneira rústica, é um mercado que movimenta em torno de R$ 80 milhões por ano, incluindo o consumo interno e as exportações.

As pimentas vermelhas respondem pelo terceiro lugar em produção e consumo de hortaliças para tempero no País. O Brasil já foi o primeiro produtor e consumidor mundial de pimentas, até o início dos anos 90. Hoje está atrás do México - atualmente o maior mercado produtor e consumidor de pimentas do mundo -, da Índia, da Tailândia e de alguns países africanos.