08 de julho de 2026
Saúde

Lipo à água

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 5 min

Realizada desde o início da década de 80, a lipoaspiração ocupa o primeiro lugar no ranking das cirurgias estéticas mais realizadas no Brasil. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), somente em 2004, mais de 198 mil pessoas se submeteram ao procedimento. No esteio desta evolução, a cada ano surgem métodos eficazes para exterminar os indesejáveis depósitos de gordura localizada e definir melhor o contorno da silhueta. Uma das grandes novidades da estética é a lipoaspiração com jato d’água, que promete resultados mais rápidos e menos efeitos colaterais do que a lipo tradicional.

O método utiliza o body jet, equipamento especial que adota a força delicada da água para eliminar as células de gordura concentradas na barriga, bumbum, costas, pernas, braços, cintura, papo, entre outras partes do corpo. A lipo à jato é uma invenção dos cirurgiões plásticos alemães Ahmmed Ziah Taufig e Hartmut Meyer e será destaque do Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica. Em sua oitava edição, o evento será realizado entre os dias 16 e 18 deste mês, em São Paulo, e reunirá os mais conceituados especialistas na área.

Em entrevista concedida por e-mail ao Jornal da Cidade, Taufig adiantou detalhes sobre a lipo com jato d’água e seus principais efeitos. Durante o procedimento, o body jet, uma cânula de aproximadamente 3 milímetros, com feixe fino e alvejado, desempenha duas funções praticamente ao mesmo tempo. A primeira consiste em jorrar água com uma solução lipolítica no tecido adiposo, que é aspirado quase que imediatamente. A segunda é, justamente, dissolver os depósitos de gordura.

“O feixe afrouxa o tecido gorduroso, deixando-o em fragmentos que podem ser facilmente aspirados pela abertura da cânula”, explica Taufig. Como o vaivém do body jet é mais suave, os vasos sangüíneos e os nervos ficam protegidos, ressalta o cirurgião. “A água conduz o meio e a cânula simplesmente a segue, removendo as partículas de gordura sem deixar trauma algum.”

De acordo com Taufig, a lipoaspiração com jato d’água utiliza apenas anestesia local e sua duração varia de 30 a 40 minutos, diferentemente do método convencional, que requer anestesia geral e demora cerca de 1 hora a 1 hora e meia.

Pós-operatório

Outro diferencial da lipo com jato d’água é a menor quantidade de efeitos colaterais e a rápida recuperação do paciente, aponta Taufig. Isso porque, segundo ele, a técnica provoca menos inchaço. “Na lipo convencional, uma quantidade elevada de líquido é infiltrada no corpo; pode chegar até a 6 litros, o que acaba inchando a área tratada e pode dificultar o controle do processo de lipoaspiração durante a cirurgia.”

Já na lipo com jato d’água, aponta o cirurgião, uma quantidade bem menor de líquido é aplicada - entre 20% e 30% - e esta é quase imediatamente removida. “Assim o contorno do corpo mantém-se sem modificações, permitindo que o cirurgião enxergue melhor as regiões submetidas à intervenção durante o procedimento”, diz.

Além disto, como o procedimento protege mais o tecido corporal, evita traumas e hematomas, garante Taufig. “Não há nenhum efeito de rasgo ou microtraumas do tecido ocasionados pelos volumes elevados de líquido pressionados no corpo, o que costuma ocorrer em outros métodos de lipoaspiração.”

A cirurgiã dentista Fátima Dubena, 37 anos, de São Paulo, se submeteu recentemente à lipo com jato d’água e concorda com Taufig. “Operei há cerca de 20 dias e estou com o mínimo de hematomas e edemas”, diz. Ela eliminou depósitos de gordura na região do abdômen e revela que sempre teve receio em fazer lipo. “Conhecia o método tradicional, mas nunca havia feito. Achei o novo método bem menos invasivo e estou feliz com o resultado”, conta Dubena, que está fazendo drenagem para prevenir fibroses, pequenas ondulações no tecido que podem comprometer o resultado do procedimento.

Cuidados

No pós-operatório, o tempo de recuperação varia de acordo com a área do corpo aspirada, explica Taufig. Em geral, pacientes que se submetem à cirurgia no abdômen superior e mais baixo podem voltar ao trabalho em uma semana e praticar exercícios físicos após 20 dias. Intervenção na região do quadril, nádegas e coxas requerem menos tempo de repouso: quatro dias, em média, para retornar ao trabalho e duas semanas para fazer exercícios físicos. Já a lipo na panturrilha pede um descanso de dez dias para exercer atividades profissionais e de um mês para voltar à academia.

De acordo com Taufig, antes de qualquer intervenção cirúrgica, o paciente deve consultar um especialista na área, realizar todos os exames necessários e procurar obter a maior quantidade de informações possíveis sobre o assunto. Pessoas portadoras de diabetes, cardiopatias e gestantes não podem fazer lipoaspiração. Mulheres que acabaram de dar à luz devem aguardar pelo menos seis meses após o parto antes de se submeterem à técnica.

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Lipomioescultura

Além da lipoaspiração com jato d’água, outra novidade que se destaca no mundo da de cirurgia plástica estética é a lipomioescultura. A técnica foi criada recentemente por Ewaldo Bolivar de Souza Pinto, cirurgião plástico paulista e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Assim como a lipo à água, ela se difere do método convencional, uma vez que, na hora da aspiração, o cirurgião respeita as fibras musculares, a direção e o sentido dos músculos.

Souza Pinto explica que na lipomioescultura os movimentos feitos com a cânula não são aleatórios, o que proporciona menos irregularidades e maior retração da pele, deixando o contorno corporal mais definido. “Isto pode ser explicado pela ausência de ilhas de gordura que restavam na antiga técnica, o ‘criss-crossing’.” Outra vantagem é que o paciente sente menos dor e o pós-operatório é mais tranqüilo, com menos inchaço e traumas, aponta o especialista, que também coordena o 8.º Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica.

A lipomioescultura utiliza um aparelho de lipoaspiração ultrassônico em todas as áreas necessitadas de tratamento, explica Souza Pinto. A incisão realizada é de aproximadamente 0,5 centímetros na área periférica a ser tratada, lugar que permite o direcionamento adequado das cânulas. Como os movimentos são feitos no sentido das fibras musculares, os resultados da técnica são mais naturais, reforça o cirurgião.

A lipomioescultura foi a técnica escolhida pela estudante Fabiane da Fonseca, 24 anos, de Santos, que buscava definir o contorno corporal da região do quadril e das pernas. Segundo ela, a cirurgia foi rápida e as dores, suportáveis. “Estou satisfeita com o resultado. Não fiquei roxa e o inchaço sumiu em menos de um mês. Além disso, depois de dez dias em que fiz a operação, eu já estava brincando com minha filha.”