Prezado leitor,
Resolvi abordar na coluna de hoje a hidratação correta da pele devido a uma sugestão enviada por uma leitora por e-mail e também porque a pele, como o maior órgão do nosso organismo, merece atenção redobrada. Afinal, é a pele que nos separa do contato direto com o meio externo.
Para entender melhor como é o seu funcionamento, vamos por partes: imagine que em sua superfície existe uma barreira dermolipídica (é o revestimento da pele) de proteção contra a desidratação. Por diversos fatores, como uso de buchas para esfoliação, a exposição solar, a falta de proteção adequada (filtros solares) e até mesmo o uso excessivo de sabonetes, a pele pode ser danificada. E é aí que os cremes hidratantes tornam-se imprescindíveis, pois se usados diariamente protegem a pele e garantem a saúde e a beleza da cútis.
Mas como escolher o hidratante correto para o seu tipo de pele?
São muitas as opções de produtos no mercado, que se dividem em tentações variadas de odores, tamanhos, formatos, colorações e texturas. No entanto, diante da dúvida cruel sobre qual frasco na prateleira será o escolhido, você deve ter apenas uma prioridade em mente: qual o seu tipo de pele?
A camada externa apresenta algumas diferenciações de acordo com o grau de oleosidade cutânea e a coloração da mesma. Por isso, o veículo utilizado na formulação do produto é fundamental. Enquanto pomadas e cremes são indicados para peles secas; emulsões e géis são empregados na composição de hidratantes específicos para as mais oleosas; e as loções são para pele mista.
Já a pele seca precisa de cuidados especiais. Ela necessita de grande concentração de princípios ativos emolientes, como a uréia, o ácido láctico e o lactato de amônia, que têm uma grande eficácia para segurar a água na pele, mantendo-a hidratada.
Vale lembrar que nas gestantes alguns cosméticos são contra-indicados. Somente seu médico poderá orientar o produto mais adequado.
Os hidratantes também são bem indicados para prevenção de estrias. Eles devem ter ativos emolientes em sua composição. Em peles oleosas a hidratação deverá estar em equilíbrio. Os ideais devem ser em géis ou isentos de óleo. Na pele normal ou mista, os produtos também devem ser leves por causa da zona T (testa, nariz e queixo), que é mais oleosa. Loções com ceramidas e ácido hialurônico são bem aceitos para sua hidratação.
Nas pessoas com pele negra, cuidados para prevenir a pele ressecada devem ser redobrados, uma vez que existe uma tendência maior para as mudanças na coloração e esfoliação. O ideal são os hidratantes com dosagens maiores de ativos umectantes e outros que mantêm a coloração homogênea.
Uma dica valiosa para vocês, leitores: a maneira de aplicar o hidratante faz toda a diferença. O correto deve ser sempre após o banho, quando a camada dermolipídica ainda não se reconstituiu. Limpa e mais vascularizada, a pele fica com seus poros dilatados, prontos para absorver rapidamente o produto.
Lembre-se: hidratantes corporais não podem ser usados na face. Os produtos para o corpo são pesados e se aplicados na face acabam por sobrecarregar os poros, podendo causar a acne cosmética.
É importante visitar seu dermatologista a cada três meses.
Tipos de pele
Seca – A pele normal pode ficar seca em função da diminuição dos hormônios femininos. Apresenta poros fechados, redução do brilho natural e possível descamação fina. É responsável pelo maior aparecimento precoce de rugas em mulheres acima de 40 anos.
Mista – Normalmente apresenta poros dilatados no nariz, testa e queixo (zona T), tendo uma oleosidade mais intensa nesta área, com leve tendência a formar cravos. Nas bochechas, a pele normal ou seca pode favorecer o aparecimento de rugas.
Oleosa - É comum em jovens e freqüentemente está associada à acne e ao excesso de oleosidade na zona T. Seus poros são dilatados e apresenta uma menor tendência ao aparecimento de rugas e linhas de expressão.
Normal - Fina e com poros fechados, sem tendência a acne ou descamação. Tem um brilho natural e aspecto de pele hidratada sem ser oleosa. O aparecimento de rugas é variável, em geral na região dos olhos.
Qual o melhor tratamento?
Não importa a idade cronológica e sim a idade que a pele aparenta. Algumas agressões externas, como a exposição solar, o cigarro, o estresse, as alterações hormonais, os medicamentos e a má alimentação, podem transformar uma pele jovem em envelhecida precocemente.
Normalmente, as pessoas com até 25 anos podem se cuidar apenas com a aplicação de um bom hidratante com filtro solar. No entanto, se a pessoa apresenta tendência a manchas ou olheiras, os tratamentos específicos com produtos clareadores já podem ser aplicados. Dos 25 aos 35 anos, aumenta a necessidade do uso de cremes para prevenção e tratamento de rugas. Por isso, um arsenal de produtos anti-sinais entra em campo: os antioxidantes, vitaminas, firmadores, clareadores, nutritivos e outros.
A partir dos 35 anos, os tratamentos domiciliares não são mais suficientes. Os procedimentos deverão ser aplicados em consultórios médicos e clínicas estéticas, como os peelings, preenchimentos, toxina botulínica, laser ou cirurgias. Economize em alguns supérfluos, como guloseimas diárias, e se dê de presente um bom tratamento estético.
Para combater as rugas, flacidez e estrias, nada melhor do que a prevenção. Cuidando desde cedo da sua beleza, os anos não irão passar por você.
Um grande abraço.
* Médica, CRM-SP 96.027 e-mail:danielahueb@jcnet.combr