09 de julho de 2026
Geral

Trânsito de Bauru dá sinais de ‘estafa’ e requer solução planejada e urgente

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 4 min

A frota na cidade de Bauru cresceu 7,6% no ano passado. Isso significa 11 mil veículos a mais nas ruas da cidade, que hoje conta com cerca de 152 mil unidades. Essa expansão, no entanto, não foi acompanhada de políticas públicas para melhorar o escoamento viário. As três principais artérias da cidade (avenidas Rodrigues Alves, Duque de Caxias e Nações Unidas) já dão sinais de esgotamento.

O problema poderá ser resolvido com a implantação de um anel viário ou até mesmo dois, um menor e outro maior. Os principais corredores de tráfego que existem na cidade são os mesmos de décadas atrás e se resumem às três avenidas. Nos horários de pico - no início da manhã e no fim da tarde -, o trânsito nesses locais fica complicado e perigoso.

O motorista que precisa cruzar a cidade de uma ponta a outra conta com apenas três opções de via rápida dependendo do lugar para aonde precisa ir. E todas, obrigatoriamente, passam pelo Centro da cidade. Quem segue da região Leste para Oeste, ou vice-versa, têm como opções as avenidas Rodrigues Alves e Duque de Caxias.

Se o deslocamento for da Zona Sul para a Zona Norte, ou vice-versa, a única opção é a Nações Unidas. Dependendo do destino pretendido, nem a Nações serve porque ela acaba seguindo em direção ao Sudeste, onde está o Hospital Estadual.

“A avenida Rodrigues Alves tem as mesmas duas pistas do início do século passado. Se você pega a Duque de Caxias, é a mesma coisa. O sistema viário de Bauru tem uma capacidade muito baixa de escoamento. Não houve investimento nesse setor nas últimas décadas”, cita o engenheiro de trânsito Arquimedes Azevedo Raia Júnior.

Uma das saídas para desafogar o trânsito no Centro e dar mais rapidez no deslocamento dos motoristas aos diferentes pontos da cidade seria a construção do anel viário. Com a abertura de algumas ruas e a pavimentação de outras já existentes, seria possível criar boas condições de deslocamento entre os bairros sem a necessidade de passar pelo Centro.

Outro problema a ser resolvido para melhorar o escoamento de veículos em Bauru é a falta de opções para transpor a rodovia Marechal Rondon e chegar ao outro lado da cidade. Atualmente, existem apenas quatro opções, o que é considerado muito pouco na opinião de Arquimedes.

“Temos a avenida Rodrigues Alves, a Duque e a Nuno de Assis. A passagem da Cruzeiro do Sul foi interrompida. A cidade cresceu e as passagens são as mesmas de anos atrás e ninguém faz nada”, critica. “Precisaria recuperar a transposição da avenida Cruzeiro do Sul e, além disso, pensar em construir outras.” A quarta opção é a avenida Nações Unidas.

Proposta antiga

De acordo com a arquiteta Maria Helena Rigitano, que coordenou a elaboração do Plano Diretor, a construção de um viaduto sobre a Rondon, ligando as duas partes da avenida Cruzeiro do Sul é uma proposta antiga. Seria mais uma opção para os motoristas que seguem do Centro para a região Oeste ou vice-versa. Hoje, essas opções se restringem a apenas duas: Duque e Rodrigues. “Essas duas avenidas ficam congestionadas porque o motorista não tem outra alternativa”, comenta Maria Helena.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, de todas as obras viárias projetadas no Plano Diretor, apenas uma tem possibilidade real de concretização. É o prolongamento da avenida Nações Unidas. Isso porque a maior parte do dinheiro deverá sair dos cofres do governo do Estado.

As demais obras, principalmente as maiores, estão descartadas por hora por falta de recursos. De acordo com a assessoria, o dinheiro disponível permite apenas pequenas intervenções, como a modificação na alça de acesso ao Shopping, na avenida Nações Unidas. Enquanto a prefeitura espera por recursos, o anel viário de Bauru continuará sendo apenas um belo projeto e o trânsito da cidade permanecerá da mesma forma.

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Além dos trilhos

Não bastasse a dificuldade de transpor a Marechal Rondon, os motoristas de Bauru encontram ainda poucas opções para cruzar a cidade além da linha férrea. Existem hoje apenas os viadutos Juscelino Kubitschek, na rua Azarias Leite, e o João Simonetti, na rua Treze de Maio, como alternativas.

O Plano Diretor, segundo Maria Helena Rigitano, está propondo uma outra alça de acesso que sairia da rua Gerson França em direção ao Jardim Bela Vista e algum tipo de ligação nas ruas Rio Branco e Gustavo Maciel. “No mínimo cancelas como há na rua Antonio Alves”, sugere a arquiteta e funcionária da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan). Ela lembra que além da passagem sobre os trilhos que há na rua Araújo Leite e a cancela na Antônio Alves, não existe mais nenhuma outra transposição antes do viaduto da rua Treze de Maio.

Projetos para melhorar o trânsito na cidade existem muitos, mas como a própria Maria Helena admite, falta o principal. “Quando a gente vai ter recurso para tudo isso? É difícil saber. Não há nenhuma chance a curto prazo”, prevê.