09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tribuna do Leitor 11/03/07


| Tempo de leitura: 21 min

Falta de educação

No Templo Bar, sem dúvida um dos melhores da cidade, reduto de excelentes música e comida, houve o tradicional evento em comemoração ao Dia da Mulher. Reuniram-se conhecidas cantoras da noite bauruense e, brilhantemente, apresentaram, ou tentaram apresentar, um espetáculo musical de qualidade. Nota dez ao Fernando e Sônia, a todos que colaboraram com o show e, principalmente, às intérpretes e instrumentistas. Entretanto, ao público mal-educado, barulhento e desrespeitoso, nota zero.

Casa muito cheia, calor, gente circulando, conversas altas e gargalhadas. Em outros anos, o público comparecia para prestigiar e assistir ao show. Agora, excetuando-se os que estavam mais à frente do palco e outros que tentavam ouvi-las com atenção, a maioria comprovou a tese de que a falta de educação independe da idade e da classe social. As muitas mulheres que lotaram as mesas, ruidosas e indelicadas, entre elas, muitas professoras também, nos fizeram refletir e questionar: podemos esperar algo diferente das crianças, dos alunos, dos adolescentes? Que modelo de comportamento estamos passando para eles?

Como a falta de valores, a grosseria, a indiferença, a ganância e a bandalheira estão imperando cada vez mais em toda sociedade, não vamos deixar que coisas simples e essenciais, como a educação, o respeito e a delicadeza, também se percam no redemoinho social.

Vera R. Jeanete Cardoso - RG 14.557.097

“Não me interrompam!”

Munir Zalaf, poeta que imortalizou seu poema “Não me interrompam!”, nas declamações sempre exigidas pelo público, está de volta, como guerreiro que é.

Não o interromperam nem a doença nem a recuperação, nem o tempo, a idade, as atribulações e deveres como presidente da Academia Bauruense de Letras. Não o interromperam os desafios que enfrentou em sua saúde, talvez porque nós todos estivemos rezando o tempo todo, com muita fé : “Não o interrompam!”

Está de volta o poeta, para brilhar entre nós como brilhou nos palcos da vida quando era ator prestigiado. Está de volta o comandante das letras, para que os literatos de Bauru continuem tendo-o à frente, em suas realizações.

Quanto a mim, a mais ausente e menos importante de suas comandadas, envio-lhe aqui as minhas afetuosas boas-vindas, na certeza de que, de volta ao lar, ele deve estar dizendo, satisfeito, com um de seus sorrisos especiais: “Não me interromperam!”

Vânia Figueiredo - membro da Academia Bauruense de Letras

Falta asfalto

Manifesto nestas linhas a minha insatisfação com a reestruturação asfáltica em Bauru. Devo sim ressaltar os esforços isolados e escassos da Secretaria de Obras em amenizar a “proliferação de buracos”, estes que corroem e tanto prejudicam a nossa cidade. Infelizmente, a má condição da malha rodoviária é um problema nacional, mas na nossa cidade implica drasticamente no transporte comercial e civil, gerando problemas na economia: como insatisfação de empresas e queda do turismo de negócios.

Os recursos municipais para a resolução do problema não são suficientes e são descoordenados, já que em muitos bairros as ruas recapeadas não são as ruas priorizadas pela população local. O apelo que faço é para que o direcionamento das obras passe por um consenso dos maiores interessados - a população e as empresas de transporte.

Agradeço e peço a intensificação das obras a todo custo, mas de forma consciente e planejada pelos populares, para que estes sejam os maiores beneficiados.

Evandro Monitor de Oliveira

‘Bundalização’ da Cultura

Ah, o Brasil, um país onde futebol, carnaval e cerveja são culturalmente cultuados. E as grandes marcas cervejeiras se valem disso para atingir seu público-alvo, os homens. Mas com a disputa de marketing, vemos cada vez mais mulheres seminuas nas propagandas, incentivando a vulgarização da mulher.

Ao assistirmos um comercial de bebidas alcoólicas somos surpreendidos muitas vezes por esteriótipos macérrimos, com seios fartos, que se submetem aos homens. Seria esse o novo padrão? Vivemos em uma cultura machista, onde os homens procuram por moças desse perfil, mulheres-objeto.

Em conseqüência disso, vemos o número de cirurgias plásticas e implantes de silicone aumentar cada vez mais, na busca de um corpo perfeito. E o mais preocupante é a procura de jovens cada vez mais novos por bebidas alcoólicas. Ambos buscando sua reafirmação social!

As marcas de cerveja deveriam se preocupar mais em passar mensagens mais instrutivas, baseando-se nestes dados alarmantes. Afinal, uma mulher inteligente pode ser mais atraente do que apenas um corpo bonito. Mulher, valorize-se!

Viviane Debs Guizine - estudante

Sonhos frustrados de um advogado

Nos anos 60, não havia, como acontece hoje, a instalação indiscriminada de Faculdades de Direito. Na época, a única Faculdade de Direito na cidade e região era a Instituição Toledo de Ensino, conhecida como ITE. Daí vinham para Bauru um número bastante grande de alunos da região e até de Mato Grosso prestar os difíceis vestibulares com provas escritas e orais de várias matérias (português, latim, história, inglês ou francês). Havia, na cidade, um único curso preparatório para vestibulares da ITE. Seu fundador e primeiro diretor foi o dr. Maurício de Toledo. Posteriormente, assumiu a direção o empresário Jair, da Jalovi. Com as desistências desses dois ilustres cidadãos, coube a mim a responsabilidade de dirigir o curso como diretor e professor de português e latim. Convidei para tal empreitada como auxiliares nas matrículas e cobranças, os amigos José Lelo Rodrigues e Rubens Spíndola. Interessante que nós três, em épocas diferentes, fomos eleitos vereadores de Bauru.

Dos muitos alunos que freqüentavam o nosso curso preparatório para a ITE, havia um que se destacava pela inteligência e um interesse incomum pelas aulas, era o Justiniano da Silva. Como o prezado leitor já pôde observar, o nosso ilustre personagem trazia até no nome a palavra direito (jus). Justiniano tinha um sonho desde criança: ser advogado. De fato, conseguiu uma ótima classificação no vestibular da ITE. Iniciou o curso de Direito e já se via de beca no tribunal, tocando com brilhantismo as causas mais impossíveis e defendendo réus inocentes da ira tenebrosa e implacável dos promotores. Gostava, quando entre amigos, de citar o ditado latino: “Et judicis officium magis in absolvendo exuberat”. Quando percebia a ignorância dos colegas, discretamente traduzia: “A função de juiz mais exubera quando ele absolve”.

Com o tempo perdi contato com o Justiniano, mas fiquei sabendo por amigos que, meses após entrar na Faculdade, a frágil namorada apareceu com uma gravidez inesperada e o nosso sonhador teve de interromper os estudos antes de terminar o primeiro ano.

Quando nasceu a criança, como era o primeiro filho, foi registrado com um nome bem jurídico: Apriori da Silva. Já que o pai não podia ser um causídico, pelo menos teria o primogênito com um nome bem afim. E, debruçado sobre o bercinho azul-celeste, o jovem babão se divertia com o pimpolho recém-nascido: “Ei, Apriori! Como vai? Olhe aqui o papai, Apriori!" No ano seguinte, apesar do excesso de trabalho como funcionário municipal, a esposa do “ex-advogado” teve outro filho. Como o garoto nascesse gordinho, foi registrado com o nome de Latossensu da Silva. E os dois meninos faziam a alegria do casal.

Como o casal prosseguiu apaixonado, não deu outra, a cegonha voltou ao lar dos Silva. Decidiram que seria aquele o último filho, pois a contabilidade andava difícil de equilibrar. E registraram o menino com o nome de Aposteriori da Silva. De fato; com algum esforço e certos recursos da nova tecnologia demográfica, a ameaçadora ave européia deixou o casal sossegado por seis ou sete anos. No entanto, destino ou descuido, eis que uma nova gravidez se precipitou sobre eles. Assim, quando nasceu a “rapa-do-tacho”, o pai nem conversou: tascou-lhe o nome tão advocatício quanto os demais: Datavênia da Silva.

Por favor, não riem. A coisa é mais séria do que vocês pensam. São inúmeros os pais que fazem uso dos filhos como compensação para seus sonhos frustrados e projetos interrompidos. E transferem para os coitadinhos aquele universo de irrealizações. Entre os grandes enganos do papai e da mamãe, figura essa ilusão de fazer dos filhos o espelho dos pais. Cegos às tendências de cada filho e filha, tentam impor-lhes um padrão de vida, comportamento, profissão que parecem bem aos pais, mesmo diante dos arrepios de sua prole intimamente ligada por outra vocação.

Alguns dirão que tudo isso é coisa do passado... Pois estão enganados. Pai é tudo igual, só muda de endereço! Não se deve ignorar a liberdade e a responsabilidade pessoal dos filhos. Os filhos não pertencem aos pais. Pertencem ao mundo, são filhos da vida.

Enfim, ninguém nos contou, mas podemos imaginar sem dificuldade como agiram o Apriori, o Latossensu, o Aposteriori e a sra. Datavênia da Silva; na hora de educar seus próprios filhos. Depois de terem sofrido uma vida inteira com a pesada herança daqueles nomes esdrúxulos, certamente permitiriam que os herdeiros escolhessem livremente qualquer profissão. Desde que não fossem advogados...

Gino Crês - professor

Tudo pela vida

Não posso deixar de agradecer a dois profissionais competentes e a nossa cidade não pode deixar de saber que eles existem. Entre tantas turbulências que vivemos as vezes esquecemos de enxergar as coisas boas. Quero aqui agradecer o dr. Jailson Barreto e o dr. Milton Cury filho, médicos do hospital Lauro de Souza Lima. Quando se depararam com um caso que merecia atenção pela urgência, não hesitaram nem um segundo para resolver. Com olho clínico enxergaram um melanoma e não hesitaram em pouco mais de 3 horas em realizar uma cirurgia. O mais gratificante de tudo isto é que eles estavam preocupados em salvar uma vida. O semblante nao deixava nem uma dúvida. Estavam lutando e torcendo para que alguém no passado não tivesse errado. Hoje só posso dizer obrigado, doutores, por ter aprendido ao longo anos de faculdade que o mais importante é torcer muito e fazer muito para salvar uma vida. Meu muito obrigado.

Fátima Mello - RG 8.265.670-8

Sanduíche Bauru

Excelente reportagem do JC que nos lembra do Zé do Skinão, muita saudade sentimos desse que participou de nossas vidas, de nossas festas, bailes, brincadeiras dançantes e de nossos fins de semana a beira da piscina do BTC. Zé da Lalai, Zé do Bar, era como ele ficou conhecido nessa minha época. Grande amigo.

O tempo passou e o Zé do Bar virou o “Zé do Skinão” e foi na sua lanchonete Skinão que passou a servir o bauru e muitos outros sanduíches fantásticos, e digo que o melhor de todos é o de pernil. Não posso deixar de comentar o esforço e o espírito empreendedor do “Marquinhos Skinão”, por que não? Soube no momento certo alicerçar o belíssimo empreendimento criado pelo seu pai. Parabéns.

E o Casimiro Pinto Neto, então? Que dia abençoado viveu esse homem, que paladar apurado estava no momento que enchia um pão com os ingredientes que lhe davam prazer, mal sabia ele que naquele momento estava criando o sanduíche que levaria o nome de nossa Bauru a todos os cantos do Brasil e alguns do mundo.

Pois é, o Jornal da Cidade de 06.03.2007 mostra um pouco da história do sanduíche bauru, e coloca o ano de 1937 como o da criação do sanduíche, a Revista Gula fala em 1933, a Associação de Odontologia - Regional Bauru, também fez suas pesquisas e coloca o ano de 1933, outros falam em 1934, mas falar em 1937 é a primeira vez que ouço [leio], o site do Ponto Chic não coloca qualquer data. Mas não importa, é só uma lembrança, gosto das datas corretas, se não tenho como sabê-las, não afirmo. O que importa é o sanduíche bauru, que é um sucesso. E a foto da reportagem não é a do Ponto Chic, onde o Casimiro foi abençoado, a criação do bauru aconteceu no Ponto Chic do Largo do Paissandu.

Como disse o Luciano Dias Pires na reportagem: “Mas é uma pena que algumas cidades acrescentem outros ingredientes à receita” - é a pura verdade, o sanduíche bauru sofre algumas transformações, é quase um mutante, uns mudam o pão, outros os ingredientes, e cada ingredientes!!! Se pelo menos clonassem...

Mas temos lugares que apresentam o sanduíche bauru com galhardia, com respeito, é isso mesmo, um sanduíche tem que ter respeito, o pão tem que ser de primeira, o tomate tem que ser fresco e maduro, a carne no ponto, e o pepino? Tem que ser curtido em vinagre branco [de vinho]. Os queijos devem ser da melhor qualidade e amolecidos em água com manteiga, misturados uns aos outros formando uma pasta homogênea. O Bauru é um sanduíche de respeito, tem classe, é de Bauru.

E é em Bauru, - a reportagem do JC não cita - um lugar particularmente agradável, e que também apresenta o sanduíche bauru com sabor e toda categoria que ele merece. Eu falo do Bauru Chic, que também tem a preocupação de mostrar em seus folhetos a história do sanduíche bauru, bem como outras versões de sanduíches, vamos dizer assim: “criados por alguns clientes” ou “criados pelo proprietário”, que dão um toque divertido e interessante no cardápio, todos os outros sanduíches vem com o nome Bauru antes da opção escolhida.

É um bar temático o Bauru Chic, em suas paredes está um pouco da história de nossa cidade, dos que levaram o nome da nossa Bauru aos mais distantes pontos desse planeta. Planeta!!! Ficou pouco, lá também está o nosso astronauta, com ele ganhamos o espaço. O nosso dramaturgo maior também é homenageado, bem como um grande cartunista, músicos, poeta, ministro, intelectuais, tem até um rei, são gente nossa, além da estrela maior do Bauru Chic que é o sanduíche bauru. Parabéns para o José Egberto, que não mede esforços para apresentar o Bauru Chic como uma das melhores opções em sanduíches da cidade.

Convido a equipe da reportagem a ir saborear comigo um sanduíche Bauru no Bauru Chic. Creio que devemos incentivar os que procuram de uma forma ou de outra divulgar o nome de nossa cidade, de nossos artistas, de nossos intelectuais, daqueles que contribuíram de qualquer forma com nossa cidade, e por que não com o nosso sanduíche bauru.

Ubirajara Baptista Filho - RG 6.343.250 SSP/SP

Assessor e jornalista

Jornalista... Uma discussão enorme, afinal, assessor de imprensa deve ser jornalista ou não? Eu sou, por exercer a profissão há tempos, anterior à Lei que exigia nível superior... E tenho formação superior em outra graduação. Agora, qual a diferença entre o jornalista e o assessor de comunicação (ou assessor de imprensa como costumam chamar, mas prefiro o de comunicação)? O Jornalista deve ser imparcial, livre de qualquer presa, às vezes até impiedoso para deleite de alguns e impaciência de outros. Isso é ponto pacífico. O assessor de imprensa, mesmo que nomeado ou com cargo de confiança, deveria ser uma espécie de ouvidor, imparcial como o jornalista, mas seu trabalho não se espelha, definitivamente, nessa função.

O que ocorre é uma assessoria que diz e escreve o que o “chefe” manda ou idealiza. E não está errado. É seu trabalho. Por isso acho que um “assessor de imprensa“ ou de “comunicação”, ou ainda um “relações públicas”, não deve, necessariamente, ser jornalista de profissão. É claro que seria de bom alvitre que fosse, pois sabe como exercer a função, porém, tem que comungar com as idéias do “patrão”. Existem no rádio, tv, jornais, revistas e até internet, comentaristas de todas as áreas, que não são jornalistas, mas especialistas no assunto que discorrem. No futebol, jogadores e não jornalistas. Em economia, economistas. Na previsão do tempo, meteorologistas, e assim por diante. E tem gente boa sem graduação ou com experiência e graduação na área em que atuam. Tem também pessoas ruins, negativas, ou simplesmente “marqueteiros”. Entendo toda a garra desses jovens que lutam e estudam Jornalismo, Rádio eTV e digo, claramente, que é uma ótima escolha; mas e os especialistas?

Como toda questão pública, é necessária uma ampla discussão sobre o assunto. É certo que há pontos divergentes e conflitantes. Eu, particularmente, admitiria um jornalista como “assessor de imprensa”, mas pelo trabalho, deveria sempre ter o seu lado, o do chefe. E isso machuca o exercício da profissão. É pra se pensar. Uma questão polêmica. O que você acha? Acompanhei a discussão do assunto através do Observatório de Imprensa e estou refletindo e tentando chegar a uma conclusão concreta. Hoje eu entendo que assessor e jornalista é uma separação necessária. Talvez até mude de opinião. O certo é que todo jornalista tem sua particularidade, sua ideologia ou seu lado. Que seja, sobretudo, o da democracia e da liberdade...

Celso Adriano Chermont - locutor, comunicador, radialista, assessor de comunicação e jornalista desde 1987 - RG 18.221.197

Incentivando jovens à leitura

A leitura é uma prática fundamental para todas as pessoas que desejam ficar informadas sobre o que acontece ao seu redor. É isso que leva muitas pessoas a fazer “sacrifícios” para poder ler. A população de baixa renda tem mais dificuldade para ler. Infelizmente os livros têm (atualmente) um preço mais elevado por seu público reduzido.

Porém, quem realmente é interessado, não mede esforços para conseguir. Como exemplos, podemos citar o Ônibus – Biblioteca, que leva livros dentro do ônibus para as periferias mais pobres, da Zona Sul de São Paulo. A idéia começou do escritor Mário de Andrade, com a frase: “Em vez de esperar pelo seu público, vai em busca de seu público onde ele estiver”.

O serviço atende 6 mil pessoas por mês, bem mais do que várias bibliotecas. “Ele vai para aonde não existe nada em termos culturais, onde a demanda é mais forte.”- explica Maria Zenita Monteiro, diretora do departamento de Bibliotecas da Prefeitura. É como afirmou Fanny Abramavich: “Leitura não é um hábito. Deveria ser um vício saudável a todos os jovens”.

Outro exemplo que podemos citar é de Carlos Leite, morador de São Gonçalo que, apaixonado por livros, abriu em sua casa uma biblioteca pública, com 10 mil volumes de todos os tipos. O desafio é criar o hábito de ler num país com um dos níveis mais baixos de leitura no mundo. Enquanto o americano e o inglês lêem aproximadamente 5 livros por ano, os franceses 7, no Brasil, lê-se menos de 2 livros ao ano.

Em Bauru são realizadas feiras do livro; no Teatro Municipal há uma biblioteca gratuita, que oferece muitas opções de livros. Há também a Bienal do Livro, realizada em prol da leitura, em que vão muitos escritores famosos.

É freqüente ouvirmos alguém afirmar que os jovens de hoje não lêem por causa da televisão ou internet; porém, os reais motivos que são os financeiros (na maioria dos casos) podem ser resolvidos através dessas opções, como feiras, bienais e bibliotecas.

O governo faz algumas campanhas, porém, como foi o caso de Carlos Leite, ele não quis esperar.

Vitória Saggioro - estudante

Para uns, só DEVERES...

Por que continuamos a ensinar a nossos filhos que todo cidadão tem direitos e deveres; que devemos respeitá-los e que a justiça é igual para todos? Ensinamos que devemos respeitar as normas e leis, para que todos possam conviver em harmonia e igualdade; porém, na realidade as coisas não são bem assim. A ilegalidade se tornou um direito, a contravenção é praticada a céu aberto e os nossos direitos de cidadãos são jogados ao vento.

Temos os deveres de pagar taxas, impostos, de cumprir as leis e estamos sujeitos às penalidades da mesma, caso infrinjamos –as. Mas isso só é regra para uma parcela da sociedade, outra parcela tem todos os seus “direitos ilegais” reservados. Os “direitos ilegais” são: praticar carteado a dinheiro em pleno centro da cidade, fazer barulho durante a madrugada toda; pois há discussão entre os jogadores; quem comprou ou não a carta, quem jogou a “dama” ou qualquer outra carta. Os direitos dos jogadores ilegais são totalmente respeitados, pois jogam com os portões abertos e, pasmem, esta jogatina é praticada na frente de uma associação militar.

Os direitos dos vizinhos são respeitados? Claro que não, dormir durante a madrugada é direito de qualquer pessoa, menos da vizinhança do referido local. Somos obrigados a conviver com toda esta ilegalidade e ainda sofrer as penalidades de sermos trabalhadores honestos que produzem serviços. A massa produtiva do país tem o direito de dormir, de descansar em sua própria casa, devidamente legalizada perante as leis vigentes no país, porém, quem reconhece esses mesmos direitos? Quem pode reconhecer os nossos direitos e fazê-los ser respeitados? A impunidade, prática comum ao país, gera esta inversão de valores e toda a nossa indignidade. Pode o direito de jogar de forma não reconhecida no país, ser maior e mais respeitado do que o direito do cidadão trabalhador?

Dormir durante a madrugada não é direito de quem trabalha e cedo levanta para trabalhar, estudar, em fim, produzir serviço? Será que as autoridades responsáveis pelo cumprimento das leis não reconhecem os nossos direitos? Agora penso: ensinamos, cumprimos e pagamos pelos “nossos direitos” e na realidade só temos os deveres e seus ônus. Isso é a dura realidade brasileira, a certeza da impunidade e da ilegalidade garantida aos infratores! Gostaria de poder acreditar na justiça, nas autoridades competentes e nas leis brasileiras. Quem pode nos ajudar? Temos nossos direitos garantidos por lei?

Lúcia Helena Álvares

Maioridade penal

Muito se comenta sobre a necessidade de se alterar ou não a maioridade penal. O problema não me parece tão difícil de se resolver.

Raciocinando: As Febens foram criadas para internar menores infratores, portanto, não podem tais infratores continuarem internados após completarem 18 anos de idade, quando obtêm a maioridade civil plena.

Após completar 18 anos não devem permanecer nenhum dia sequer na instituição, criada para acolher somente menores de 18 anos. Não devem também serem postos em liberdade, conforme a gravidade dos atos criminosos que praticaram e sim transferidos para uma unidade prisional exclusiva para egressos das Febens, onde cumprirão o restante da pena. Exemplo: O menor praticou aos 15 anos de idade um homicídio simples, cuja pena mínima é de 6 anos. Por haver praticado o ato criminoso quando ainda era menor, abate-se um sexto da pena, reduzindo-a para 5 anos. Como já ficou três anos na Febem, deverá cumprir mais dois anos na penitenciária especial, sujeito às regras em vigor nas penitenciárias. Tais sugestões enviei ao exmo sr. presidente da República e apesar do tempo decorrido não obtive qualquer manifestação. Tratando-se de assunto que merece ampla discussão pública, externe também a sua opinião.

Argemiro Trindade - advogado - OAB-SP 83.059

Mauro Machado: meu amigo, emoção e saudade

Resolvi escrever algo sobre o Mauro, senti um misto de emoção e saudade. Muitas coisas vieram à mente, as imagens como um filme começaram a passar. Vivenciamos incontáveis experiências. Uma delas foi quando, juntos, fomos num passeio no rancho do nosso amigo José Maria, às margens do rio Paranapanema, em Paulicéia, Panorama, onde também o Mauro deixou muitos amigos.

Para fixar melhor a lembrança fui em busca de uma foto que retratou esse memorável momento, a foto de nosso passeio, ladeando o nosso amigo, Vicente Leme, Vavá, Paulo Zaneti, José M. Brandão, José R. Castilho e demais amigos da cidade de Panorama, um grande amigo, fiquei com os olhos marejados. Foi um dia maravilhoso e inesquecível. Mas continuava eu a buscar algo para escrever e tentar traduzir o que representou em nossas vidas. Falar do amigo, companheiro de todas as horas, fiel e presente.

Falar do amigo ativo, estudioso, profundo conhecedor das nossas causas, que se tornou um verdadeiro mestre, que ensinava a verdadeira arte da fraternidade e da igualdade, na sua simplicidade. Falar do Mauro, grande pai de família, tendo o respeito e admiração de todos. Falar do homem, do ser humano, sim, acho que é fácil. Para quem conviveu com ele, rememorá-lo não é difícil. Exercia a bondade, espargia amor e simplicidade a todos que tiveram a felicidade de com ele conviver e compartilhar de sua amizade. Generoso, dividia com todos que dele se acercavam, para um aconselhamento, sua invulgar sabedoria, baseada na dignidade, na sua cultura e na sua experiência de vida.

Detestando a prepotência, sabia ser tolerante, compreensivo e bom com os desvalidos. Um líder nato, lutou sempre pela prevalência da honradez e da justiça sempre pela providência dos fins colimados pela nossa Ordem. Deixou exemplos de bondade e sabedoria. Soube jogar o jogo da vida, mas em cada lance realizado, seu objetivo era o bom, era o bem. Era independente, aliava à sua simplicidade, sem ares de sucumbência, a coragem. Não a coragem da força física, mas a coragem intrépida interior, consciente, de enfrentar as vicissitudes da vida sem esmorecer, fundamentada na fé em Deus.

Mesmo com a malfadada doença existente, não se deu por vencido, lutou até o fim. A morte pensa que o tem junto a si, ledo engano. Ele não morreu, apenas desapareceu. O seu exemplo de vida transcende a ela. Ele está conosco, radiante pelo dever cumprido, de braços abertos para um fraternal abraço de seus entes queridos e amigos. Descanse em paz, meu amigo, e rogamos a Deus, que o proteja, ilumine e guarde.

Waldemir Ferreira Costa - Vavá - RG 5.953.940