11 de julho de 2026
Cultura

Sucessos norte-americanos invadem redes de TV do País

Por Jéssika Torrezan | Folhapress
| Tempo de leitura: 5 min

A mania das séries americanas está invadindo a TV brasileira. Em toda a história da televisão, nunca tantas séries foram exibidas simultaneamente na TV aberta. “Lost”, “24 Horas”, “Dois Homens e Meio”, “CSI”, “Desperate Housewives”, “De Volta aos Anos 70”. De acordo com levantamento da reportagem, são cerca de 40, em canais como Globo, SBT, Record, Rede TV! e, desde o último domingo, a Band.

A Globo exibe desde 1991 “Os Simpsons” e tem os direitos garantidos dos megasucessos “24 Horas” e “Lost”, as últimas vão ao ar de forma diferente da TV paga - ao invés de um episódio por semana, como é tradicional, são exibidos cinco, de segunda a sexta. A estratégia tem dado certo, e as médias de audiência em janeiro e fevereiro deste ano ficaram em 12 pontos - mais que a média do “Programa do Jô”, que tem cerca de oito pontos no Ibope.

A Record é uma das que mais investe no segmento atualmente. Com sete séries no ar, sua meta é crescer nesse mercado. Prova disso é que a emissora comprou os direitos de “Heroes” antes mesmo de a atração estrear no Brasil, fato raro de acontecer - geralmente, as séries só vão para os canais abertos depois do sucesso comprovado na TV a cabo brasileira. O investimento da emissora de Edir Macedo tem um motivo simples: séries dão audiência.

A prova disso está nos números: desde que “CSI” estreou, em janeiro de 2005, o ibope da Record no horário só tem aumentado - passou de 6 pontos para 11, às sextas à noite. Tanto que “CSI: Miami”, que é como uma espécie de filial da original, estreou na última terça-feira na Record. O mesmo acontece com “Monk”, que desde fevereiro do ano passado aumentou a média no Ibope de 4 para 9 pontos, e “Las Vegas”, que saltou de 4 para 6 pontos.

O último canal a entrar para a onda das séries foi a Band, que colocou no ar as comédias “Uma Família de Outro Mundo” e “De Volta aos Anos 70”. “O Ibope indica que no domingo à noite, dia que tradicionalmente a família está reunida em casa, há público disponível para esse tipo de série (comédias), que agrada de jovens a adultos”, afirma Elisabetta Zenatti, diretora-geral de programação e artístico da emissora.

Regularidade

Apesar do número de atrações, um dos maiores desafios para o telespectador que gosta do gênero continua sendo acompanhar uma temporada completa sem os canais a cabo. Campeã absoluta em número de seriados sendo exibidos (segundo o site oficial da emissora, são 25), o SBT é quem detém o maior número de reclamações, conta Cláudia Croitor, editora do site Séries Etc. e autora do blog Legendado, que fala sobre este tipo de programa.

“Nos fóruns de discussão, fica evidente o desrespeito da emissora para com os fãs do gênero. Ninguém consegue descobrir o horário em que as séries são exibidas, de tanto que muda. Além disso, o SBT não respeita a cronologia, repete episódios... ela ainda está na teoria de que séries tapam os buracos”, conta.

A reportagem tentou conferir com o SBT os horários da série e não teve sucesso. A emissora não divulga mais sua programação para a imprensa ou em seu site. A reportagem ainda ligou como se fosse um telespectador, e uma funcionária do setor de programação disse que não poderia ajudar porque não há horários fixos. “É preciso assistir ao SBT”, disse. “Apesar da cultura de séries ainda estar ganhando força na TV aberta, acredito que há uma boa vontade das emissoras, mesmo porque já está comprovado que elas aumentam a audiência”, afirma Cássio Starling Carlos, autor do livro “Em Tempo Real: Lost, 24 Horas, Sex and the City e o Impacto das Novas Séries de TV”.

E, assim como aconteceu nos Estados Unidos - onde a maioria da programação é de séries semanais -, o autor conta que essa evolução tem tudo para, “daqui um tempo”, dominar também o formato da nossa programação. “A grade é a mesma há 40 anos, ninguém mais tem paciência”, comenta Carlos. Será o fim do novelão?

Band investe

Novata na exibição de séries, a Band estreou duas comédias no domingo passado: “Uma Família do Outro Mundo” (22h30) e “De Volta aos Anos 70” (23h). “Esse é um segmento de comprovado sucesso que estava ausente da grade da Band. Queremos diversificar cada vez mais a programação”, conta Elisabetta Zenatti, diretora-geral de programação e artística da emissora. Apesar de as duas séries não serem novas - ambas já foram encerradas -, elas fizeram sucesso e têm um público fiel.

Outro fator decisivo para a escolha foi o número de episódios -”Família” teve cinco temporadas; “De Volta”, oito. E o investimento não pára por aí. Está programada para este mês a estréia de “Rex”, série alemã no estilo “Rin Tin Tin”.

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Especialistas apontam o segredo do sucesso

Segundo os especialistas, o fator que define se uma série chega ou não à TV brasileira é o sucesso que ela faz no exterior, principalmente nos Estados Unidos. Mas o que a faz ter sucesso? Esqueça as boas histórias e os bons atores -é claro que isso influencia, mas muita série boa já foi cancelada tendo estes ingredientes.

Além dos milhões de dólares investidos em publicidade e nos episódios - o primeiro de “Lost”, por exemplo, custou US$ 12 milhões- a garantia de êxito é a expectativa que ele consegue criar. “Heroes”, por exemplo, acabou de estrear na TV paga no Brasil (há uma semana) e não tem data de estréia na Record, mas é quase impossível um fã de seriados não saber que se trata de pessoas normais que descobrem ter superpoderes.

O já citado “Lost” também é um clássico. A segunda temporada nem terminou na Globo e fã que é fã sabe que Rodrigo Santoro está na terceira temporada (e que provavelmente dela não passa). O sucesso na internet influencia muito também. Atualmente, os episódios mal acabam de passar nos Estados Unidos e já estão na rede -inclusive com legendas. Assim que começa o barulho por lá, começa aqui também, para o bem ou para o mal, mesmo que demore meses para um canal exibi-las.