10 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Vereadores de Duartina na marcha a ré da história


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Os vereadores Serra, Frausino, Ananias, Agnaldo e Serginho, do PV, votaram, na última quarta-feira, contra o projeto ambiental do Executivo que criaria a Diretoria de Meio Ambiente e daria início, em Duartina, à Gestão Ambiental Municipal.

Clóvis Serra confirmou seu perfil nada ambiental. Em outra ocasião, já havia se posicionado contra a coleta seletiva e reciclagem da ONG Águas do Serrote. Para ele, o projeto não era bom. No entanto, esse mesmo projeto foi aprovado pelo Ministério de Desenvolvimento e de Combate à Fome. Serra também quis transformar Duartina no centro regional de depósito de embalagens vazias de agrotóxicos e delegar aos moradores a responsabilidade da disposição final dos nossos lixos tóxicos e também dos municípios vizinhos. Vale lembrar que, entre todas as cidades, Duartina é a que menos produz esse tipo de resíduo tóxico e que esse descarte exige procedimentos técnicos. O vereador Serginho, do PV, alegou votar contra porque foi pressionado. E sempre será, pois, como cidadãos que somos, exigiremos ações transparentes, questionaremos reações isoladas de interesses pessoais e, onde puder, influenciaremos para que as políticas públicas sejam eqüitativas, justas, solidárias e ambientalmente corretas. O vereador Frausino criticou a elaboração do projeto do Executivo, embora todos os vereadores tivessem recebido cópias explicativas da Gestão Ambiental Municipal, que, a partir da criação da Diretoria, seriam elaboradas leis adequadas à sua gestão, isso inclui a criação do Conselho e o Fundo do Meio Ambiente, engajando o município na Política Nacional de Meio Ambiente. Os vereadores Agnaldo e Ananias, totalmente desinteressados, nada declararam sobre o voto contrário. Já os vereadores Milton Garbulho e Janaína foram favoráveis à Gestão nas duas votações.

Enquanto no planeta o ser humano busca soluções às urgentes questões ambientais, esses políticos, na contramão da história, apegados a interesses nada democráticos, rejeitaram um projeto de grande importância e abrangência, que agilizaria a solução dos problemas ambientais locais. A descentralização das gestões é um papel que os municípios vêm, pouco a pouco, assumindo para expansão da cidadania e fortalecimento da democracia para uma nova gestão pública: ética, transparente e participativa. Agora, é cobrar projetos consistentes desses vereadores para agirem contra os desmatamentos (vários desses autorizados pelo próprio DEPRN) nesse nosso município, que hoje só detém 4% da sua mata nativa original e que não usem as sessões do Legislativo com requerimentos e indicações de interesses pessoais, como pedir para que o caminhão-pipa da prefeitura passe semanalmente em frente da casa do próprio edil para acabar com a poeira da rua. A sociedade não pode se omitir e nem deixar de participar do acompanhamento dos trabalhos desses nossos governantes.

Lúcia Reis - ONG Águas do Serrote - Duartina