09 de julho de 2026
Auto Mercado

Dr. Automóvel: Pequenos descuidos, grandes despesas

Consultoria: Marcos Serra Negra Camerini*
| Tempo de leitura: 4 min

Pequenos descuidos, grandes despesas

Por desconhecimento de causa ou por simples distração, várias pessoas me contam de probleminhas que geraram despesas elevadas e que poderiam ter sido evitados facilmente se tivessem sido tomadas precauções simples.

Mesmo sem entender de mecânica, um conselho básico é sempre prestar atenção a barulhos novos que apareceram de repente, ou ao comportamento do veículo, que ficou diferente do que era antes. A regra é simples: se ficou diferente para pior, procure a ajuda de um bom mecânico para descobrir a causa. É como em medicina, onde o simples fato de ignorar um sintoma inicial pode levar a uma doença mais grave. Se um problema é detectado logo no início fica mais fácil e barato chegar à cura.

Se ao cair com a roda em um buraco grande ou der um forte tranco na suspensão, pare o carro o mais rápido possível (em um posto de gasolina, no acostamento ou na calçada) e verifique se não entortou a roda ou cortou o pneu. Às vezes, um pequeno furo ou corte dá conserto se reparado logo, mas se persistir em rodar com o pneu murcho, poderá acarretar o corte do pneu em toda a sua extensão, pela pressão da roda sobre a lateral do pneu no asfalto. É como uma tesoura, que vai cortando tudo e inutiliza totalmente o pneu. A diferença de custo vai desde o simples conserto do furo (R$5,00) até a compra de um pneu novo (até R$300,00), o que não é nada desprezível.

Outra coisa que poucos prestam atenção é com os limpadores de pára-brisa, cuja lâmina de borracha se desgasta com o tempo de uso e se resseca ao sol. A recomendação é que se troquem as palhetas pelo menos uma vez ao ano, e elas são relativamente baratas pelo serviço que prestam. Em conjunto com o lavador de pára-brisa, que deve estar sempre abastecido de água mesmo em época de seca, as palhetas exercem uma função de segurança, pois nunca se sabe o que poderá cair no vidro e vir a sujá-lo, atrapalhando a visão.

Agora, a conjunção de palhetas ressecadas e gastas com falta de água no reservatório do limpador poderá acarretar riscos profundos no pára-brisa caso seja acionado o limpador sobre o vidro sujo e seco, mesmo que por acidente (um simples esbarrão na alavanca, por exemplo), inutilizando o pára-brisa, desvalorizando o carro e prejudicando a visão do motorista. Sairia muito mais barato trocar as palhetas e manter o reservatório de água abastecido do que trocar todo o vidro...

Barulhos internos também podem ser sintomas de início de problemas mais sérios que, se devidamente diagnosticados a tempo, tem um final feliz. Barulhos típicos de painel de instrumentos, por exemplo, quando se passa por uma rua de paralelepípedos. Parece um monte de coisa solta e são altamente irritantes, dando a impressão de carro velho. Um simples reaperto por um especialista e pronto, evita-se futuros problemas como a quebra de um suporte ou de um encaixe, que inviabilizariam a peça, necessitando de troca de todo o painel.

Os bancos traseiros mal encaixados também são geradores de barulhinhos incômodos do tipo cricri, que são devidos ao atrito de metal com metal. Isto, além de irritante, ainda pode acarretar o desgaste até a quebra dos suportes, que necessitarão ser trocados e eventualmente soldados, depois pintados, etc. Se ao surgir o barulho tivesse sido tomada uma providência, o custo seria bem menor.

Vimos que não é preciso ser mecânico ou ter noções de mecânica para detectar um problema no carro. Basta ter bom senso e atenção aos detalhes, e perceber mudanças de comportamento dinâmico do veículo. Por exemplo, o carro sempre andou em linha reta perfeitamente alinhado, mas de uns dias para cá a direção passou a puxar para a direita. O que será? Você não precisa saber, mas desconfie que se o carro mudou para pior é por que alguma coisa não vai bem. Não ignore o sintoma e leve ao seu mecânico o mais rápido possível.

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Sugestões para a coluna e perguntas à seção Correio Técnico devem ser enviadas ao e-mail automerc@jcnet.com.br ou à redação do Jornal da Cidade, na rua Xingu, 4-44, Higienópolis. É obrigatório informar nome completo, RG, endereço e contato (telefone ou e-mail).

* Marcos Serra Negra Camerini é engenheiro mecânico formado pela Escola Politécnica da USP, pós-graduado em administração industrial e marketing e engenharia aeronáutica, com passagens como executivo na General Motors (GM) e Opel. Também é consultor de empresas e assina uma coluna na revista Quatro Rodas Nitro. Seu site é www.marcoscamerini.com.br.