A pouco mais de duas semanas do reajuste do preço dos medicamentos permitido pelo governo entrar em vigor, uma pesquisa divulgada no site do Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos (Idum) acusa o aumento de 400 remédios entre abril de 2006 até março de 2007. O intervalo corresponde ao período entre o aumento concedido pelo governo no ano passado e o novo reajuste.
Segundo o site, a pesquisa avaliou os aumentos nos medicamentos monitorados pelo governo e constatou elevações que vão até 49,44%, como no caso do Cloridrato de Sertralina, ansiólitico utilizado no tratamento do transtorno obsessivo compulsivo (toc), do laboratório Medley.
Outros medicamentos, como o antibacteriano Azitromicil, do laboratório Greenpharma, apresentou, segundo o Idum, um aumento de 40,29%; o antiinflamatório Flanax, da Bayer, utilizado para tratamento da asma, foi reajustado em 11% e o antiparasitário Mebendazol, também da Medley, aumentou 11,03%.
A pesquisa também apurou aumentos muito acima da inflação nos remédios que não são controlados pelo governo, como o analgésico Dórico, do laboratório Sanofi-Aventis, que subiu 50,09%; a Aspirina, da Bayer, que teve um aumento de 12,40% e a Neosaldina, da Altana Pharma, reajustada em 8,13%. A lista completa com os nomes dos remédios e seus preços pode ser conferida no site: www.idum.com.br
Em declaração no site do Idum, o farmacêutico Antônio Barbosa, coordenador da entidade, diz que os aumentos apurados na pesquisa são ilegais e vão em direção oposta ao momento que vive a indústria. “Houve queda no valor do dólar, a matéria-prima está mais barata no mercado internacional e a indústria já praticou reajustes acima da inflação em vários itens. Portanto, a hora é de reduzir preços”, afirma.
Aumento não percebido
Para os consumidores de Bauru, o reajuste apontado pela pesquisa do Idum parece não ter sido sentido. “Gasto bastante com remédios, mas não percebi aumento no ano passado. O preço parece estável”, diz o aposentado Oswaldo Malini, diretor-presidente da Associação dos Familiares e Amigos dos Doentes de Alzheimer, que gasta pelo menos R$ 300,00 por mês com remédios para a família. Segundo ele, nenhum membro da associação reclamou de reajustes dos remédios no último ano.
O mesmo aconteceu com o engenheiro civil José Roberto Eleutério de Oliveira, diretor da Associação dos Diabéticos de Bauru, que não notou a elevação dos preços e também não ouviu reclamações sobre isso recentemente. O gasto de um diabético com medicamento por mês varia de acordo com o caso, segundo Oliveira, mas pode chegar a casa dos R$ 800,00.
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Farmácias contestam
O presidente-executivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias (Abrafarma), Sérgio Mena Barreto, contesta o levantamento do Instituto Brasileiro de Defesa dos Usuários de Medicamentos. “Não há reajuste acima do estipulado”, afirma. O economista da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABC Farma), Geraldo Monteiro, também nega aumento abusivo de preços. Ele afirma que a partir de junho do ano passado o Cloridrato de Sertralina passou a custar R$ 82,19 nas revistas farmacêuticas. Segundo ele, o medicamento Mebendazol, do mesmo laboratório, que subiu 11,03%, teve uma reclassificação tributária, e passou a pagar PIS e Cofins em toda a cadeia produtiva, por isso ficou mais caro.
Com Folhapress