10 de julho de 2026
Nacional

Críticas às políticas de incentivo marcam noite do Prêmio Shell

Por Gustavo Fioratti | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

Os três troféus do Prêmio Shell entregues na noite de anteontem, na Capital, ao grupo Vertigem (pela direção, luz e, na categoria especial, pelo projeto de pesquisa) soaram como resposta a um suposto descaso das políticas de incentivo público e privado. A peça em questão era “BR-3”, encenada em um barco dentro do rio Tietê, que teve temporada interrompida por falta de verba. “Quem sabe esse prêmio nos ajude a colocar o barco de volta no rio”, desabafou o diretor do grupo, Antônio Araújo.

Além dos agradecimentos típicos que seguiam a divulgação dos premiados em nove categorias, só Araújo e a atriz e diretora Georgette Fadel, melhor atriz pelo espetáculo “Gota D’água Breviário”, manifestaram descontentamento em relação à dificuldade pela qual a maioria das produções teatrais tem de passar em São Paulo. “Precisamos de políticas mais inteligentes. O teatro não pode mais ser pautado pelas vontades dos diretores de marketing e dos políticos”, disse Georgette.

Sérgio Roveri, vencedor como melhor autor por “Abre as Asas Sobre Nós”, comemorou o fato de o Shell “olhar com atenção para os grupos de pesquisa, para a riqueza do cenário da cidade”. Apesar do sucesso de público, “Abre as Asas”, sob direção de Luiz Valcazaras, por pouco não foi cancelada pela administração do teatro Sérgio Cardoso, que é subordinada à Secretaria de Cultura do Estado, sob o falso argumento de “falta de público”.

A atriz Cleide Yáconis foi a homenageada oficial da noite. E o grupo Os Satyros foi lembrado, em vários dos agradecimentos, principalmente por ter transformado a praça Roosevelt em um ponto de encontro. Foi para lá que premiados e não premiados se dirigiram, no fim da noite.