09 de julho de 2026
Pesca & Lazer

História de pescador: Rio Negro


| Tempo de leitura: 3 min

Vou narrar uma viagem de pescaria, que foi uma aventura que nós fizemos, ao rio Negro, no Pantanal do Mato Grosso. Saímos de Bauru numa segunda-feira, eu mais o amigo Osvaldo, “que já não está entre nós”, com a sua Saveiro com uma carreta, e levamos o bote com motor e muitas traias de pescarias para passar uma semana por lá.

Chegamos a Campo Grande às 10h. Depois de muitas perguntas, nós encontramos um caminho de uma estrada secundária de terra batida, e seguimos por ela até um vilarejo chamado de Rochedo, e fomos em frente até outro pitoresco vilarejo que se chamava Corguinho, e lá nós almoçamos e depois de um bom papo com os moradores do lugar nós seguimos em frente, destino rio Negro. Mas aí aconteceu o imprevisto: quebrou o engate da carreta, a parte que ficava debaixo da Saveiro.

Já tínhamos viajado uns 15 km e o amigo Osvaldo foi com a Saveiro ver se arrumava o engate. Eu fiquei na estrada com a carreta e ele demorou horas para voltar, já estava a desesperar com a demora. Mas enfim ele chegou e foi difícil arrumar um ferreiro com solda elétrica, mas deu certo e colocamos o reboque no Saveiro e partimos. Já era tarde quando chegamos à cidade de Rio Negro, quando fizemos algumas compras.

Ainda tinha mais 25 quilômetros até chegar ao rio quando começou a chover. Estrada de terra já viu: sofremos um bocado até chegar ao rio e o toró que Deus mandava era de arrepiar. Já estava escuro quando chegamos e a chuva não parava. Por sorte, ao chegar no rio, encontramos uma turma acampada com um caminhão feito uma casa e nos deram todo tipo de apoio. Comemos com eles e fui buscar o garrafão de pinga que tinha levado. Depois de um bom papo, chegou a hora de dormir, o companheiro foi dormir na Saveiro e eu na carroceria do caminhão, bem confortável por sinal, os pirangueiros eram de Aguaí, uma cidade perto de Mococa.

No dia seguinte fomos ver a água do rio que estava barrenta devido à chuva, esperamos três dias até ela ficar turva e pusemos o barco no rio. Armamos os anzóis de galho, mas, para nossa surpresa, só deu jacarés. Antes de colocar o barco na água, montamos o nosso acampamento para passar os dias por lá, o amigo Osvaldo tinha trazido uns quilos de carne de sol e, como faltava um pouco para ficar boa, ele deixou a carne dependurada em uma cerca e fomos rio abaixo armar os anzóis.

Como eu tinha falado, só pegamos jacarés. Foi preciso chamar os pirangueiros para ajudar a tirar da água e com um machado eles deram o fim no dito cujo. Foi onde eu comecei a comer carne de jacaré, que era uma delícia. E sobre a carne seca que deixamos dependurada, nem o cheiro da carne sobrou, não sei quem comeu, aprendemos mais uma lição.

A água do rio não limpava, esperamos mais quatro dias e só dava jacarés no rio. No dia seguinte, nós levantamos o acampamento, despedimos da turma de Aguaí e partimos, mas nós resolvemos voltar por outra estrada de terra. Foi também outros sufoco para subir a serra de São Gabriel do Oeste com a carreta. Só sei que a nossa viagem foi uma aventura para nunca esquecer. Depois de muitos percalços chegamos a Bauru, sãos e salvos e com muitas histórias para contar. Depois que passou tudo, foi uma curtição e valeu a pena passar por isso, que foi uma aventura foi! Rio Negro até um dia talvez.

Florindo Martins é pescador e contador de histórias.