Escrevi algum tempo atrás que o Brasil, mais do que a Índia, parece ser dividido em castas, só que aqui em apenas duas: nós, pobres trabalhadores recolhedores de tributos, e eles, representantes do Executivo, Legislativo e até o Judiciário, que para poderem sobreviver necessitam de aumento de praticamente 100% sobre seus vencimentos. E pior, conseguem, pois eles mesmos decidem. Deixar deputados e senadores decidirem sobre seus próprios vencimentos e demais benefícios (o que acarreta o aumento de todas as outras categorias, até do ascensorista do “palácio”) é o mesmo que tratar burro a pão-de-ló. Não há o que baste.
Sempre que surge uma denúncia no governo e deputados e senadores se dispõem a investigar, fico na expectativa de que pelo menos uma vez na vida terei o prazer de assistir a uma atitude digna dos mesmos. Ledo engano. Toda vez é a mesma coisa, acontece uma troca de favores e decisões jurídicas equivocadas, quantias faraônicas como mensalão, e não se pune ninguém. Quem sabe pela letargia, pouca vontade, preguiça ou vergonha em fazer justiça por ganharem tão pouco. Nunca a Polícia Federal trabalhou tanto como neste governo, diz o senhor Lula, mas um trabalho insano e infrutífero, já que tudo é resolvido na base do jeitinho. Nunca na história do Brasil o descalabro foi tamanho.
O senhor Lula, no último debate do segundo turno, ao ser questionado se a Previdência teria condições de cumprir com as aposentadorias, afirmou que o trabalhador receberia, ao se aposentar, exatamente o valor sobre o qual contribuiu, mas se esqueceu de dizer (o mais certo é que não saiba) que isto só ocorreria se o mesmo apresentasse, no momento da aposentadoria, o atestado de óbito, pois se isto não ocorrer o valor da mesma será corrigido (para menor é claro) com base na expectativa de vida que nós teremos. E o brasileiro pobre e honesto e que depende da Previdência é burro e teimoso bastante a ponto de conseguir sobreviver com a miséria que recebe mesmo não tendo um sistema de saúde. Ainda bem que existem as benzedeiras e chazinhos caseiros.
Estamos deixando o "omi trabaiá", mas até agora, devido às negociatas para venda de ministérios aos partidos que pretendem dividir o bolo, cada um querendo a maior fatia, estamos assistindo a um espetáculo vergonhoso, onde o PT declara que a Marta só aceitaria determinado ministério se tiver uma verba ampla, pois assim sairia com cacife suficiente para tentar a Presidência da República.
Quando o “omi vai trabaiá”? Quando os representantes dos poderes constituídos vão se dar conta de que precisam mostrar a que vieram?
Esse é o verdadeiro ninho da serpente!!! Pense muito bem nisso! “Quando os homens vivem sem uma autoridade para impor respeito, a vida se transforma numa guerra de todos contra todos! Não há lugar nem para o trabalho, pois seus frutos são incertos. E o que é pior: haverá sempre o medo e o grande risco da morte violenta. A vida do homem se torna pobre, triste, sem esperanças, bruta e curta!” - Thomas Hobbes.
Omar Fayad - RG 3.587.661