Melbourne, Austrália - A competição por enquanto é velada. Mas já tem hora para acabar. Felipe Massa e Kimi Raikkonen detonam oficialmente na madrugada de hoje para amanhã a disputa para saber quem ocupará o posto de primeiro piloto da Ferrari em 2007. O cenário para o primeiro embate entre os dois é o treino classificatório para o GP da Austrália, etapa de abertura do Mundial de F-1, que acontece à meia-noite de amanhã, com TV.
“Veterano” do time desde a aposentadoria de Michael Schumacher, no ano passado, Massa leva vantagem nos bastidores. Está integrado com a equipe desde a época em que foi piloto de testes, em 2003. Outro ponto a seu favor é ter como empresário Nicolas Todt, filho de Jean, diretor administrativo da Ferrari. Com as duas vitórias em 2006 e tendo conquistado a confiança de Schumacher, outro aliado importante, Massa passou a ter papel mais atuante no time italiano.
Ajudou no desenvolvimento do F2007 e foi o primeiro piloto a levá-lo à pista. Isso, porém, não necessariamente dá vantagem ao brasileiro. A reportagem computou todos os treinos realizados com o F2007 pelos dois pilotos durante a pré-temporada. Apesar de ter sido obrigado a fazer um “cursinho” com o modelo do ano passado antes de poder testar o carro novo, foi Raikkonen quem mais andou com a Ferrari deste ano. Massa acumulou 4.883 km, contra 5.783 km do finlandês.
“Claro que é bom já estar no time há mais tempo, conhecer as pessoas, mas não acho que isso seja uma grande vantagem”, disse o brasileiro em Melbourne. “Acho que para um piloto de alto nível, como o Kimi, já não faz muita diferença.”
Com pouco menos de três meses de fato como piloto da Ferrari, mas tendo chegado com um salário cinco vezes maior que o do brasileiro, Raikkonen é irônico ao falar sobre o assunto. “Claro que não conheço todo mundo na equipe, é impossível, tem muita gente.”
Ao lado do bicampeão Fernando Alonso, os ferraristas são apontados como favoritos ao título, o que os deixa em uma posição delicada: colegas de equipe e rivais ao mesmo tempo. “Temos uma relação boa. Mas o Kimi é meu maior adversário porque temos o mesmo carro”, disse Massa.
Diplomáticos, eles fazem questão de trocar elogios. Mas também não perdem a chance de trocar algumas leves alfinetadas. “Tenho certeza de que o Kimi vai ser muito rápido e vai brigar por vitórias. Só espero poder brigar por elas também e andar na frente dele o máximo possível”, falou o brasileiro. “Não fiquei preocupado com o Felipe na pré-temporada. Sempre soube que ele era rápido”, disse o finlandês, que teve resultados piores que os de Massa nos treinos de inverno. Em 17 duelos, perdeu 12.
A Ferrari, por enquanto, prefere não interferir na disputa de seus contratados. Pela primeira vez em anos não terá um primeiro piloto definido, apesar de negar tê-lo feito em outros anos. Nesta madrugada, porém, alguém sairá na frente.
Barrichello
Graças à ajuda do filho Fernando, de um ano, Rubens Barrichello começa a temporada deste ano mais magro e confiante. Desde o fim do ano passado, o piloto da Honda trocou a dieta e emagreceu 4 kg. “Perdi 5% de gordura no corpo. E só não foi mais porque troquei a gordura por músculos”, falou o brasileiro, que agora está com 70 kg e desfila pelo paddock do Albert Park com camisas mais justas.
“Quando comecei na F-1, tinha 72 kg. Depois cheguei a pesar 76 kg. Mas meu peso ideal é 71 kg”, declarou ele. De acordo com o piloto, a “culpa” de seu emagrecimento é de seu filho mais novo, que pesa 13 kg com pouco mais de um ano. “A mãe coloca ele de regime e acaba sobrando pra mim.”
Em sua segunda temporada na Honda, Barrichello diz que nunca esteve tão empolgado em sua carreira, apesar da fraca atuação do time na pré-temporada. “Sei que a equipe precisa de mim.” Essa motivação também foi determinante para que ele passasse a se dedicar mais nos exercícios.
“Meu objetivo é mostrar para mim e para o time como estou disposto.” Quanto às chances no campeonato, seu 15º na categoria, Barrichello prefere adotar um discurso cauteloso. “Nosso carro tem potencial e é melhor que o de 2006. Quero uma temporada melhor que a última”, falou ele, sétimo no ano passado.