Brasília - Apesar de o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmar que o assunto não está em discussão, deputados da Mesa Diretora disseram ontem que até o final do mês estarão aprovados reajustes nos salários dos parlamentares e na verba para a contratação de assessores. O índice estudado (28,1%) elevaria salários de R$ 12.847,00 para R$ 16.457,00, e a chamada “verba de gabinete” de R$ 50,8 mil para R$ 65,1 mil. “A idéia é corrigir o salário do funcionário no mesmo patamar que o dos deputados”, disse o segundo-secretário, Ciro Nogueira (PP-PI).
De acordo com o primeiro-secretário, Osmar Serraglio (PMDB-PR), há um acordo que vem desde a eleição da Mesa, em fevereiro, para que o salário e a verba sejam reajustados pela inflação. A verba de gabinete, caso suba para R$ 65 mil, terá reajuste de 225% nos últimos dez anos contra 91% de inflação medida pelo IPCA no mesmo período.
Desde o último reajuste, em dezembro de 2005, a inflação acumulada é de apenas 4,4%. Foi Ciro Nogueira quem apresentou, na reunião da Mesa, a proposta de reajustar a verba. A idéia só não foi a voto porque o terceiro-secretário, Waldemir Moka (PMDB-MS), pediu vista. Ontem, Moka afirmou que retomará o debate na próxima reunião, que ainda não tem uma data prevista.
Para o aumento da verba de gabinete vigorar, basta que a maioria dos integrantes da Mesa o aprove. Já o reajuste no salário dos parlamentares precisa ser aprovado em plenário. “Primeiro, a Mesa não tratou. Segundo, o assunto não está em pauta. Terceiro, houve quem colocasse (o tema) em discussão, mas ela não ocorreu”, declarou Chinaglia, referindo-se aos reajustes.