A propagação da dengue encontrou na homeopatia um inimigo. Uma fórmula, desenvolvida e adotada em São José do Rio Preto, é capaz de reduzir o ritmo de transmissão da doença, além de aliviar os sintomas em quem já a contraiu. O complexo, composto por três plantas, foi desenvolvido pelo médico da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) Renan Marino.
Ao custo de R$ 0,01, atualmente a dose é distribuída nas unidades básicas de saúde do município, que também luta contra a epidemia de dengue. Quando Bauru tinha apenas seis casos contraídos na cidade (hoje tem 57), Rio Preto já contabilizava 277, segundo dados do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE).
Na tentativa de reduzir os números, o medicamento passou a ser utilizado, pela primeira vez, em grande escala. Ele atua no controle da doença porque reduz o período febril em quem contraiu o vírus. É nesta fase que o paciente torna-se potencial transmissor da doença. Se for picado pelo mosquito Aedes aegypti, o inseto é infectado e pode transmitir o vírus para a próxima pessoa a ser picada.
“O período de viremia (período que o vírus está circulando no organismo), coincide com o período de febre. Atenuando o quadro febril agudo diminui a viremia e, com isso, vai reduzir a taxa de transmissão viral”, explica Marino (que também trabalha na rede pública municipal). Deste modo, o mosquito terá menos chance de picar um indivíduo contaminado e propagar a dengue.
Quem já foi infectado pela doença em São José do Rio Preto, passa por uma unidade básica de saúde e recebe todas as prescrições normais para o caso. Mas também, como complemento, tem acesso à dose da fórmula homeopática. O paciente deve tomar duas gotas, três vezes ao dia, por uma semana.
Já quem não foi infectado, também pode procurar a saúde pública de São José do Rio Preto para tomar uma dose única de duas gotas. “É como se o organismo ficasse num estado de prontidão. Se contaminada, a pessoa não desenvolve um quadro tão intenso. Mantém o efeito de três a seis meses. Se a epidemia continuar, repete a dose”, explica Marino.
De acordo com ele, o complexo ainda diminui o risco do paciente desenvolver um quadro de dengue hemorrágica. Dois elementos do composto, o Crotalus -30CH (feito a partir do veneno de cobra) e o Phosphorus – 30CH foram acrescentados justamente com esse intuito.
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Vacina
Em setembro deste ano, o pesquisador da Famerp Renan Marino tem viagem marcada para Cuba, onde assinará protocolo e convênio para o desenvolvimento de uma vacina contra a dengue. Dado o passo formal, em até um ano a pesquisa estará concluída. A nova fórmula seria uma alternativa à negociada atualmente pelo governo brasileiro com os EUA.
“Acho temerária (essa negociação). Essa vacina (norte-americana) foi testada na Tailândia com resultados muito pobres e muitas complicações”, conclui Marino.