Bagdá - A agência sobre refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU) condenou ontem uma operação feita pela polícia iraquiana em um bairro predominantemente palestino de Bagdá, afirmando que a ação foi “altamente preocupante”.
A capital iraquiana vive atualmente uma nova ofensiva das forças de segurança locais e estrangeiras que visa coibir a violência sectária a partir de operações bairro a bairro.
Enquanto os militares americanos celebraram ontem o sucesso parcial da ofensiva, que afirmam ter tido êxito em diminuir a violência, o porta-voz do Alto Comissariado para Refugiados da ONU, Ron Redmond, disse que o órgão está “profundamente preocupado” com a operação no bairro palestino, que foi realizada na última quarta-feira.
Segundo ele, ao menos um palestino - um guarda de uma mesquita local - foi morto com tiros na cabeça durante a ação, e outros nove palestinos continuam detidos. “A operação levou ao menos 41 outros palestinos a fugirem da capital, e eles se uniram a outros 850 palestinos que estão refugiados na fronteira entre o Iraque e a Síria desde maio de 2006.
Os palestinos que chegaram na fronteira afirmaram que suas casas foram revistadas pelas forças especiais iraquianas, que teria dado a eles dois dias para saírem.
O Alto Comissariado para Refugiados informou ainda que há relatos de “"abuso físico e possivelmente tortura” contra os detidos no Iraque.
Anteontem, o Ministério do Interior iraquiano afirmou que a operação foi realizada para investigar roubos de carros e não foi voltada contra os refugiados palestinos.