Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva oficializou a ida do ministro Walfrido Mares Guia (PTB) para as Relações Institucionais. E convidou a ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy para uma conversa na segunda-feira, quando deve formalizar o convite à petista para assumir o Ministério do Turismo, pasta hoje ocupada por Walfrido.
Apesar de ter preferência pela pasta das Cidades, hoje na cota do PP, Marta já disse a um emissário de Lula que aceitará o Turismo. Potencial candidata ao Planalto em 2010, ela avalia que precisa de apoio de Lula para ter alguma chance. Logo, recusar a pasta equivaleria a um gesto de hostilidade política.
A confirmação de Walfrido na articulação política foi feita em almoço no Palácio da Alvorada, depois de Lula passar os dois últimos dias cogitando colocar o petebista no Desenvolvimento, diante das dificuldades de achar substituto para Luiz Fernando Furlan.
A seu pedido, Walfrido tomará posse na quinta-feira. No dia anterior, participará do Fórum Pan Rotas de Turismo, em São Paulo, quando pretende se despedir com um balanço de sua passagem pela pasta.
O presidente, agora, busca um ministro para o Desenvolvimento. Segundo a reportagem apurou, a decisão pode demorar até duas semanas porque Lula quer decidir com calma o substituto de Furlan. O presidente já convidou vários empresários - entre eles, Jorge Gerdau Johannpeter, Eugênio Staub, Horácio Lafer Piva, Abílio Diniz e Maurício Botelho. Todos recusaram.
Walfrido substituirá Tarso Genro, que tomou posse ontem na Justiça. Márcio Thomaz Bastos deixou o governo a pedido. Retornará à advocacia.
“Processo de fritura”
Marta Suplicy se reuniu anteontem à noite na Capital paulista com seu grupo político para decidir sua estratégia em relação ao que chamou de “processo de fritura” a que vem sendo submetida pelo presidente Lula. Até o início da noite, antes de Marta receber o convite para uma conversa com Lula na segunda-feira, os aliados da ex-prefeita avaliaram que o presidente estaria adiando ao máximo o convite na esperança de que ela desista publicamente da condição de “ministeriável”. Mas a ex-prefeita não deve tomar nenhuma decisão nesse sentido e só desistirá de ocupar um ministério se for vetada por Lula.
Para os “martistas”, o presidente teme que a entrada dela antecipe o jogo de sua sucessão, o que não é a intenção do governo nesse momento.