Um estudo realizado pela Ford apontou que os vícios ao volante de muitos motoristas colaboram para fazer os automóveis gastarem mais combustível. Ao analisar o perfil dos condutores, a pesquisa concluiu que muitos tornam seus carros mais “beberrões” em razão de hábitos inadequados na hora de trocar as marchas.
A pesquisa dividiu os motoristas em três grupos. O primeiro é composto por aqueles que trocam as marchas conforme o curso do acelerador, pressionando-o menos do que deveria e tirando a popular “casquinha”. Os outros dois são formados pelos que se baseiam apenas na velocidade e os que levam em conta as rotações - giros em rotações por minutos (rpm) - do motor. “É neste último grupo em que todos deveriam se espelhar”, enfatiza o engenheiro mecânico Marcos Serra Negra Camerini, que também é o responsável pela coluna “Dr. Automóvel” no caderno AutoMercado & Cia do JC.
Camerini esclarece que a opção pelo último grupo é lógica, pois baseando-se no giro do motor é possível aproveitar toda sua potência e força (torque). “Comumente, é possível notar carros saindo dos faróis dando uma aceleradinha e trocando a marcha rapidamente no meio do cruzamento. Desse jeito, o veículo não chegou nem na outra esquina e já está em segunda, o que faz o automóvel ficar totalmente sem força”, destaca.
Segundo o engenheiro, quem adota essa prática por achar que está economizando gasolina está enganado. “Ocorre justamente o contrário, pois quando o veículo está sem força, é preciso atolar o pé para que ele ande, elevando o consumo. O motor precisa trabalhar em uma faixa boa de rotações para que possa ter potência e torque necessários para andar. Quem anda tipo marcha lenta e dá só aquela casquinha de pé para fazer o carro andar, na verdade está forçando o motor e andando em marcha inadequada, aumentando o consumo e a emissão de poluentes”, alerta.
Mas qual seria a melhor forma de dirigir? Para Camerini, as mudanças ideais de marchas são aquelas que conciliam a velocidade do veículo com o número de giros (rpm) e a força (torque) do motor, informações que podem ser obtidas facilmente nos manuais dos proprietários. “Os engates devem ser suaves, sem pressa e em um número de giros que atinja, em média, a metade da rotação máxima do motor. Para quem tem carros com motores pequenos, como 1.0, o ideal é trocar as marchas entre 2 mil e 3 mil rpm. São regras básicas para rodar no trânsito urbano, pois nas estradas o ideal é fazer o contrário: ter por base faixas de rotações mais próximas possíveis da rotação máxima, pois está acelerando e o carro precisa ganhar velocidade rapidamente”, orienta.
O engenheiro lembra também que o conta-giros existente em muitos veículos não é “enfeite” e deve servir de base para as mudanças de marcha. Já os veículos que não o tiverem, a dica é levar em consideração a velocidade ideal do automóvel para efetuá-las. “Os manuais também costumam trazer essa informação”, diz.
Para Camerini, muitas vezes é justamente pelo mau uso do câmbio dos 1.0 que donos de carros dessa cilindrada decepcionam-se com seu desempenho e reclamam até do seu principal atrativo: o consumo do combustível. “As pessoas têm de se conscientizar que, por melhores que sejam, os 1.0 têm limitações. No entanto, elas podem ser amenizadas pela troca correta das marchas”, ressalta. E acrescenta: “Mais do que bom senso, fazer isso é essencial para economizar combustível, poupar componentes de motores e câmbios e garantir conforto e agilidade sem abrir mão da segurança no trânsito urbano ou rodoviário.”
Outro hábito inadequado lembrado por Camerini é o da “banguela”, que é deixar o carro desengatado para aproveitar o embalo dos trechos em descidas. “Na época dos carburadores, o pessoal colocava em banguela para economizar combustível, mas hoje gasta-se mais fazendo isso do que se estivesse com o carro normalmente engatado em uma descida. Por isso, se estiver em uma descida, é melhor tirar o pé do acelerador e deixar o motor fazer o carro descer sozinho, pois aí sim você economizará mais combustível”, conclui.