08 de julho de 2026
Geral

Método Giraldi ensina como evitar tiroteio

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Com base em seus quase 60 anos de experiência como policial militar, o coronel da reserva Nilson Giraldi, 75 anos, especialista em segurança pública, desenvolveu um método que tem como objetivo evitar ao máximo a ocorrência de tiroteio entre polícia e bandido. Desta forma, corre-se menos risco de atingir pessoas inocentes com balas perdidas.

O coronel lembra que as maiores crises vividas pela polícia ocorrem quando suas armas ferem inocentes. “A maior desmoralização do Estado, o maior desrespeito dos direitos humanos ocorrem quando a arma de fogo de um policial, destinada a servir e proteger a sociedade, se volta contra a sociedade.”

O “Método Giraldi” é adotado hoje pela Polícia do Estado de São Paulo e reconhecido pela Organização das Nações Unidas (ONU). “O método não é uma simples instrução de tiro, mas uma doutrina da atuação armada da polícia, onde tudo aquilo que for possível fazer para solucionar sem o uso da força, sem tiros, sem bombas, sem invasão, etc, assim o será”, explica o coronel. “A vida é a prioridade. O disparo é a última alternativa.” Giraldi atua como consultor do Comitê Internacional da Cruz Vermelha.

Uma vez colocado em prática, o método, segundo seu criador, é capaz de reduzir em 95% a morte de policiais em serviço – os outros 5%, segundo ele, são as fatalidades quase impossíveis de serem evitadas. Além disso, reduz a zero o risco de morte de um inocente provocado por policiais em serviço e a perda da liberdade desses policiais em virtude do uso incorreto da arma.

“A arma de fogo está para o policial como o bisturi está para o cirurgião. Ambas são ferramentas de trabalho e devem ser usadas como última alternativa”, ensina o coronel. “Não basta saber atirar, tem de saber também quando atirar.”

Quando submetido a uma situação de risco, como um tiroteio, o policial sente alterações físicas e psíquicas, que vão do medo ao pânico, segundo Giraldi. A pressão arterial dobra e os batimentos cardíacos triplicam. “Se ele tiver problema no coração, morre”, afirma.

Um estudo feito pelo policial Roger Solomon, da Washington State Patrol, concluiu que todos os anos a polícia perde bons profissionais por causa dos efeitos provocados por tiroteios. Segundo o estudo, aproximadamente um terço dos policiais envolvidos em ocorrências desse tipo apresentam reação traumática leve, um terço tem reação moderada e um terço tem reação severa.

As conseqüências variam de acordo com a situação vivida. Se o policial mata um criminoso conhecido para se defender, a reação é uma. Se ele mata um inocente, a reação é outra. Assim como difere a emoção que ele sente quando atingido por um disparo ou quando vê um parceiro morrer em confronto com bandidos.

“Nem todos os policiais experimentam uma reação traumática após um tiroteio. Nem por isso são pessoas insensíveis”, diz Solomon. “Há muitas razões pelas quais esses policiais têm pouca reação. Uma delas é que eles foram preparados mentalmente para a eventualidade de um incidente crítico. Anteciparam o que podia acontecer, mentalizaram isso e aceitaram a realidade.” Se as reações traumáticas não forem bem trabalhadas podem resultar em problemas emocionais a longo prazo.