A presença de inúmeros prédios públicos em mau estado de conservação ao redor da cidade é uma questão que preocupa de modo especial quatro funcionários da Prefeitura Bauru. Maria Eunice Zanotto, Roberto Gevara, Evandro da Silva Pinto e João do Lago trabalham no departamento de construção e serviços gerais (cuja sigla é DAO) da Secretaria de Obras e são os responsáveis pela manutenção de praticamente todos os imóveis utilizados pelo poder público no município.
Hoje em dia são quase 210, incluindo escolas, núcleos de saúde, estádios distritais e prédios administrativos. Para zelar por esse grande “aparato burocrático”, os quatro dispõem, atualmente, de um quadro reduzido de funcionários. A divisão de construção e serviços gerais, chefiada atualmente por Zanotto, conta com apenas 49 trabalhadores. O total de empregados em atividade no departamento não é superior a 60.
De acordo com Gevara, que durante 12 anos esteve à frente do setor, a disponibilidade de mão-de-obra era bem maior no passado. “Chegamos a ter o dobro de funcionários. Com o passar do tempo, muitos foram se aposentando ou pedindo afastamento, por isso nosso quadro se encontra diminuído nos dias atuais”, explica.
Silva Pinto, diretor da divisão de iluminação do DAO, também sofre com a carência de braços. Hoje, ele tem à sua disposição apenas quatro eletricistas. “Além dos prédios públicos, eles têm de dar conta de todas as praças, ruas e avenidas de Bauru”, diz.
No setor chefiado por João Lago, o de serviços industriais, a situação também não é das mais animadoras. Ele tem sob seu comando 25 homens, responsáveis pela fabricação dos materiais utilizados nas obra da prefeitura (blocos de concreto, guias, tubos de concreto e esquadrias metálicas). “Houve épocas em que chegamos a ter 60 funcionários nesta divisão, mas muita gente acabou saindo com o passar dos anos”, explica.
Diversos fatores ajudam a explicar essa escassez crônica de funcionários. O primeiro problema é a ausência de novas contratações. Zanotto, que está há apenas um ano no cargo, nem se lembra da última vez que o departamento admitiu novos empregados. Segundo Gevara e João do Lago, isso se deu há bastante tempo.
O último concurso público realizado especificamente para preencher vagas no DAO ocorreu há mais de cinco anos, mas nenhum dos quatro é capaz de precisar em que ano isso aconteceu. Atualmente, as contratações são feitas de maneira esporádica. Nem mesmo essas admissões, porém, estão conseguindo minimizar a carência de braços que atinge o departamento.
É que o trabalho executado no local costuma ser cansativo, e por isso a maior parte dos contratados não se anima a permanecer no emprego. “A pessoa entra no serviço, fica dois meses, depois pede demissão”, lamenta Silva Pinto. Esse é apenas um dos motivos para que o desânimo se instale entre os funcionários do DAO.
O grande problema está nos baixos salários pagos pelo órgão. Na divisão de iluminação, por exemplo, um eletricista novato ganha, em média, R$ 382,00. O plano de carreira do departamento permite que um profissional dessa área venha a receber, no máximo, R$ 551,76, mas só depois de alguns anos de serviços prestados.
Outro fator que ajuda a agravar ainda mais a falta de mão-de-obra é o elevado número de funcionários afastados do serviço por recomendação médica. Atualmente, o setor dirigido por João do Lago com apenas 15 pessoas trabalhando. “O restante está de licença”, explica.
Por esse motivo, os funcionários da ativa têm de se desdobrar para dar conta do serviço diário. Não por acaso, a maioria dos trabalhadores do departamento se mostram ansiosos para trocar de emprego. “Infelizmente, ali é um lugar onde ninguém quer entrar e do qual todo mundo quer sair”, diz João do Lago.
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Mato
Um problema que gera muita reclamação por parte da população é a presença de mato alto nas ruas, praças e imóveis públicos de Bauru. Nas últimas semanas, por exemplo, uma densa vegetação tomou conta do terreno onde está localizado o núcleo de saúde do Parque Santa Edwirges (zona noroeste). Se nada for feito para deter o avanço do capim, dentro em breve não será possível avistar as paredes pichadas e depredadas da unidade de atendimento.
O que as pessoas não sabem, porém, é que Rodrigo Agostinho, responsável pela Secretária Municipal de Meio Ambiente (Semma), dispõe de uma equipe reduzida para realizar os trabalhos de capinação ao redor da cidade.
“Hoje em dia temos apenas seis funcionários fazendo esse serviço”, explica. Agostinho acredita que se essa equipe se dedicasse apenas às praças e aos canteiros centrais de avenida, o número de funcionários seria suficiente. “O problema, porém, é que também temos de fazer a manutenção em todos os prédios pertencentes à prefeitura”, diz.
No mês de janeiro, por exemplo, os seis servidores da Semma tiveram de limpar quase 60 escolas em toda a cidade. “E isso acaba gerando um atraso nas demais obrigações”, reconhece Agostinho.