Muitos prédios que hoje em dia recebem manutenção por parte do Departamento de Construção e Serviços Gerais (DAO) da Secretaria Municipal de Obras talvez não necessitassem de qualquer tipo de reparo. O problema é que os imóveis públicos se tornaram alvos fáceis para os vândalos, tanto que boa parte se encontra pichada ou depredada.
O problema é grave em todos os bairros de Bauru. Palácio das Cerejeiras, Núcleo de Saúde do Parque Santa Edwirges e escola Geraldo Arone, no Núcleo Fortunato Rocha Lima, são algumas da vítimas mais recentes da ação dos marginais. O vandalismo é responsável por grande parte das intervenções de reparo realizadas pelo DAO.
No período de férias escolares, por exemplo, as depredações e pichações respondem por quase metade dos pedidos de manutenção feitos ao departamento. “Houve ocasiões em que estávamos programados para fazer uma pintura ou limpeza de calha mas, quando chegamos ao local, nos deparamos com portões arrombados, janelas quebradas, telhados destruídos”, reclama Maria Eunice Zanotto, chefe da divisão de construção e serviços gerais do DAO. No setor de iluminação, o volume de ocorrências motivadas por vandalismo chega a 30%.
Muitas depredações acontecem em decorrência de furtos. Um caso recente foi registrado no Parque Jaraguá, há cerca de dois meses. Na ocasião, a unidade do Programa de Encontro da Turma (PET) instalada no bairro foi destruída após uma invasão. Parte da fiação da rede elétrica, pias e torneiras foram levadas do local. As 87 crianças atendidas pelo espaço acabaram ficando sem aulas durante algum tempo.
“Além de roubar, a pessoa ainda destruiu tudo o que viu pela frente”, lamenta-se o engenheiro Roberto Gevara, que foi chefe da divisão durante 12 anos. Nem todos os casos de vandalismo têm motivação aparente. Zanotto cita o caso da unidade de saúde do Núcleo Octávio Rasi. “O prédio estava com problema de infiltrações devido a um vazamento no teto”, recorda. Os funcionários do DAO foram até o local para solucionar o problema.
Quando subiram ao telhado para averiguar o motivo das goteiras, os homens se surpreenderam. “Havia paralelepípedos imensos lá em cima. Como pedras pesadas como aquelas foram parar lá em cima? Provavelmente alguém as atirou e, durante a queda, elas acabaram abrindo buracos no teto. Fico imaginando o que leva alguém a fazer uma coisa dessas...”, diz Zanotto.