08 de julho de 2026
Regional

‘Educação ambiental deve ser radical’

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Fazer com que a educação ambiental saia da teoria à prática e colabore para que os municípios se conscientizem da necessidade de ações coletivas em busca dos poucos recursos existentes para o setor. Essa é a síntese do raciocínio defendido pelo professor Marcos Sorrentino, diretor do Programa Nacional de Educação Ambiental, que compareceu, na última sexta-feira, ao Fórum de Educação Ambiental realizado nas cidades de Jaú e Agudos.

Sorrentino defende que os municípios “radicalizem” a questão educacional ambiental pregando a união de esforços de todos os segmentos sociais. “O objetivo da vinda ao evento foi debater e dialogar com as instituições de perfil educacional e ambientalista a oportunidade de se realizar um trabalho voltado a uma educação ambiental radical nas cidades da região. O diálogo com essas instituições deve ocorrer simultaneamente com os gestores municipais para buscar uma ação convergente a fim de que a educação ambiental deixe de ser apenas objeto de discurso e se transforme em uma realidade no cotidiano de todos os setores da sociedade de Bauru e região”, enfatizou.

Para Sorrentino, a “radicalização” é necessária para que a educação ambiental atinja todas as camadas populacionais. “Precisamos ter toda a radicalidade que o momento exige, pois este não permite que continuemos a fazer uma educação apenas cognitiva ou com uma dimensão afetiva. Ela tem de ser também política, do setor empresarial, do modo de produção e consumo e de todos os segmentos. Nesse sentido é que trabalhamos com a construção de coletivos educadores que unam as instituições para elaboração de um projeto político-pedagógico a fim de fazer uma educação ambiental que chegue à totalidade dos habitantes de uma determinada base territorial de forma permanente, continuada e articulada”, frisou o diretor.

Ao comentar o momento vivido pelo Planeta, que já sofre as conseqüências nefastas do aquecimento global, Sorrentino considerou que o problema é apenas a “ponta de um iceberg”. “A crise ambiental atual é muito mais profunda que sua manifestação mais evidente e importante, que são as mudanças climáticas e o aquecimento global”, ressaltou. E acrescentou:

“A crise sócio-ambiental passa também pelas questões da violência, além da depressão e do pânico que se instauram nas grandes cidades diante da falta de repertório que a cidadania tem para enfrentar um mundo em mudanças continuadas. O que aprendemos com nossos pais e avós já não nos habilita a interpretar essas alterações globais que estão ocorrendo e, ao mesmo tempo, aquilo que aprendemos e abandonamos podem ser ferramentas muito importantes para enfrentarmos outras situações.”

Sorrentino sustenta, ainda, que a globalização e seus impactos sobre as identidades locais precisam ser debatidas. “O movimento ambientalista traz muito essa reflexão sobre a importância da autonomia e de vivermos em uma sociedade globalizada e complexa, onde o conjunto de cidadãos mantenha ao máximo sua autonomia sem se desconectar da interdependência”, salientou, para depois concluir:

“Essa compreensão de que como não negamos a importância e as virtudes da globalização, mas ao mesmo tempo não nos tornamos refém de uma globalização concentradora de poder que tira a coloração da diversidade local, precisa ser debatida por todos para que cheguemos a um equacionamento que seja melhor para a melhoria de qualidade de vida de todos.”

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Ações conjuntas

Um dos pontos trazidos à tona pelo professor Marcos Sorrentino durante o Fórum de Educação Ambiental foi a necessidade dos municípios executarem ações conjuntas e coordenadas para obter recursos do setor. Segundo o docente, essa é a principal colaboração que o Programa Nacional de Educação Ambiental procura dar às cidades.

“Eles precisam trabalhar de forma unificada e organizada, otimizando recursos que já existem no município e região. Os recursos estaduais e federais são poucos, pois somos um País pobre, mas é muito se levarmos em consideração o desperdício que existe. Muitas vezes, projetos que são implementados por uma organização não-governamental (ONG), órgão público ou empresa vão na mesma direção, mas nenhum dialogando com o outro”, exemplificou Sorrentino.

Para o diretor, a política pública nacional de educação ambiental está centrada em dialogar coletivamente. “E não atores individualizados. Não estamos aqui para promover a concorrência pelos poucos recursos, mas sim para estimular a ação sinérgica e fazer da melhor forma possível o enfrentamento dos desafios locais e globais”, defendeu.

Outro que seguiu igual raciocínio foi o deputado federal José Paulo Toffano (PV), que também compareceu ao Fórum. “Hoje não existe mais a questão municipal, principalmente quando se refere ao meio ambiente, que é um conjunto de fatores que torna impossível uma cidade ter uma ação danosa ao meio ambiente que não impacte na outra”, considerou o parlamentar.

Por isso, complementou Toffano, a presença de Sorrentino no evento era tão importante. “Ele disse quais são as linhas mestras em nível federal para o que o governo espera de um agrupamento para que ele seja coletivo e representativo, e não apenas aqueles formados por mero poder econômico e cada um dando tiro para um lado. Assim, boa parte dos recursos que acabam vindo se perdem no caminho em atividades que não duram.”